Rapsódia e escrita epistolar em Eu de Você
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.64793Palavras-chave:
escrita epistolar, teatro contemporâneo, dramaturgia fragmentária, performance, dialogismo, autor-rapsodoResumo
Este artigo investiga os deslocamentos da escrita epistolar quando transposta para o espaço teatral, tomando como objeto o espetáculo Eu de Você (2019) e, em especial, a carta de Clarice, professora cuja narrativa integra a cena. O estudo tem como objetivo compreender em que medida a passagem da carta íntima à cena pública preserva, reorganiza ou desloca a densidade subjetiva do testemunho feminino. Para isso, articula análise dramatúrgica e reflexão teórica a partir das noções de autor-rapsodo (Sarrazac), fragmento (Calabrese e Tavares), teatralidade da carta (Haroche-Bouzinac), dialogismo (Bakhtin) e performance (Schechner). A análise demonstra que a cena não dissolve a singularidade da escrita epistolar, mas a reconfigura por meio de procedimentos fragmentários e polifônicos que ampliam sua dimensão ética e política. Conclui-se que a transposição da carta para a cena não apaga sua intimidade, mas a transforma em experiência compartilhada, produzindo uma circulação pública da memória feminina e configurando o teatro como espaço ético de escuta e reconhecimento.
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