Poéticas do Antropoceno
reflexões sobre as relações entre o humano e o não humano na poesia de Prisca Agustoni e de Sofia Mariutti
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63134Parole chiave:
poesia contemporânea, Sofia Mariutti, Prisca Agustoni , Antropoceno , ecocríticaAbstract
A poesia brasileira contemporânea tem se mostrado um terreno fértil para a problematização das fronteiras estabelecidas entre o humano e o não humano, especialmente diante das urgências ecológicas do Antropoceno. Este trabalho analisa como os livros Quimera (2025), de Prisca Agustoni, e Abrir a boca da cobra (2023), de Sofia Mariutti, constroem poéticas que tensionam a noção de centralidade do humano ao proporem formas de coexistência marcadas pela vulnerabilidade e pela interdependência entre as espécies. Objetiva-se investigar de que modo os poemas de ambas as autoras revelam uma crítica à lógica antropocêntrica, tanto pela via da aproximação sensível quanto pela da violência e da dissolução dos limites corporais. Para tanto, a pesquisa articula a leitura comparada dos poemas e a reflexão ecocrítica e pós-humana a partir de autores como Donna Haraway (2013), Cary Wolfe (2010), Bruno Latour (2020) e Anna Tsing (2022), que discutem o deslocamento do humano e a emergência de perspectivas pós-antropocêntricas. Os resultados apontam que, ao descentrar a figura humana e expor sua impotência diante das forças naturais, os poemas analisados instauram uma poética em que o afeto, a linguagem e o corpo são redesenhados a partir da convivência e do confronto. Do mesmo modo, reconhece-se que o não humano, nesses poemas, é interpelado a partir da memória, da extinção e da luta pela própria existência e imanência. Assim, as poéticas de Agustoni e Mariutti reafirmam seu papel ético e estético na elaboração das crises ecológicas do presente
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