Dissonâncias, circularidades, assimilações
a conquista colonial de mentalidades
DOI:
https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.14-27Palavras-chave:
imaginário colonial, dissonância epistêmica, pensamento abissal, modernidade colonialResumo
O ensaio analisa como a experiência colonial nos países de língua portuguesa estabeleceu uma “herança viva” baseada no controle e na gestão do imaginário. Apresenta o colonialismo não apenas como empreendimento político e administrativo, mas como método de conquista de almas que visou a garantir a permanência de relações de domínio através da imposição de valores europeus. O método consiste na análise literária do romance O testamento do senhor Napumoceno (1989), de Germano Almeida, examinando o protagonista como um tipo de “assimilado à europeia”. A conclusão demonstra que a assimilação do sistema colonial produz um sujeito marcado por dissonâncias epistêmicas, que habita os limiares das clivagens abissais entre a tradição local e a modernidade imposta. O estudo revela que essa assimilação incompleta assegura a continuidade de assimetrias estruturantes e silenciamentos nos espaços pós-coloniais.
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