Dissonâncias, circularidades, assimilações

a conquista colonial de mentalidades

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.14-27

Palavras-chave:

imaginário colonial, dissonância epistêmica, pensamento abissal, modernidade colonial

Resumo

O ensaio analisa como a experiência colonial nos países de língua portuguesa estabeleceu uma “herança viva” baseada no controle e na gestão do imaginário. Apresenta o colonialismo não apenas como empreendimento político e administrativo, mas como método de conquista de almas que visou a garantir a permanência de relações de domínio através da imposição de valores europeus. O método consiste na análise literária do romance O testamento do senhor Napumoceno (1989), de Germano Almeida, examinando o protagonista como um tipo de “assimilado à europeia”. A conclusão demonstra que a assimilação do sistema colonial produz um sujeito marcado por dissonâncias epistêmicas, que habita os limiares das clivagens abissais entre a tradição local e a modernidade imposta. O estudo revela que essa assimilação incompleta assegura a continuidade de assimetrias estruturantes e silenciamentos nos espaços pós-coloniais.

Biografia do Autor

  • Alexandre Montaury Baptista Coutinho, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) | Rio de Janeiro | RJ | BR

    Professor Associado 1 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde desempenha a função de Coordenador Setorial de Pós-Graduação do Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH). Atua no Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Desde 2009 desenvolve projetos de pesquisa com o apoio do CNPq, com bolsa de produtividade. No momento, desenvolve o projeto “Imaginários cruzados e imagens transversais no espaço-tempo da língua portuguesa: literatura, política e diferença”.

     

Referências

ALMEIDA, G. O testamento do senhor Napumoceno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

CLASTRES, P. La Societé contre l’État: recherches d’anthropologie politique. Paris: Editions Minuit, 1974.

INDEPENDÊNCIA e morte: a África portuguesa. [S. l.: s. n.], 2025. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GywWEuE0Y_k. Acesso em: 14 ago. 2025.

LIMA, L. C. Trilogia do controle. Rio de Janeiro: Topbooks, 2007.

NEGRI, A.; HARDT, M. Império. São Paulo: Record, 2010.

PORTUGAL. Estatuto dos Indígenas Portugueses: das províncias da Guiné, Angola e Moçambique. Decreto-Lei nº 39.668, de 20 de maio de 1954. Disponível em: https://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/7523.pdf. Acesso em: 14 ago. 2025.

RIBEIRO, M. C.; VECCHI, R. Eduardo Lourenço e o “impensado colonial”. Jornal de Artes e Letras, Lisboa, 20 mar. a 2 abr. 2024, p. 29.

ROSAS, F. História de Portugal: O Estado Novo (1926-1974). Lisboa: Editorial Estampa, 1994. V. VII.

SALAZAR, A. O. Salazar: Discursos e notas políticas. Lisboa: Editorial Vanguarda, 1955.

A SEGREGAÇÃO racial nas antigas colônias de Portugal. [S. l.: s. n.], 2025. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_YZ7MD6G7H4. Acesso em: 14 ago. 2025.

SOUSA SANTOS, B. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia dos saberes. Novos estudos CEBRAP, São Paulo, n. 70, p. 71-94, nov. 2007.

Downloads

Publicado

2026-08-27

Edição

Seção

Dossiê: Figurações do Outro nas Literaturas de Língua Portuguesa

Como Citar

Dissonâncias, circularidades, assimilações: a conquista colonial de mentalidades. (2026). Revista Do Centro De Estudos Portugueses, 46(75), 14-27. https://doi.org/10.17851/2359-0076.46.75.14-27