VIVER É LUTAR: PERSPECTIVAS POLÍTICAS NA COLEÇÃO DIDÁTICA PARA A ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE

Autores

Palavras-chave:

alfabetização de adultos; educação de base; cartilha; golpe civil militar de 1964

Resumo

O artigo tem como objetivo analisar conteúdos e aspectos materiais da cartilha “Viver é lutar”, publicada em 1963, que integrava a coleção didática, de mesmo nome, elaborada pelo Movimento de Educação de Base (MEB) como suporte às aulas de alfabetização de adultos no contexto das escolas radiofônicas brasileiras nos primeiros anos da década de 1960, tendo em vista o contexto político do regime ditatorial brasileiro (1964-1988) e a repressão aos movimentos sociais voltados à educação de adultos. Observa-se, ainda, o esforço em trazer elementos da cultura popular sertaneja como estratégia didático-pedagógica para gerar identificação com os camponeses atendidos pelo movimento, tendo em vista ainda as diferentes tendências intelectuais e ideológicas em disputa no interior da Igreja Católica mobilizadas na construção do material, relacionadas às suas concepções política, pedagógica e religiosa, que resultaram em um modelo próprio de educação dos camponeses. Por fim, abordamos o processo de reestruturação do MEB no contexto do regime ditatorial que, de acordo com historiografia recente, se deu por meio de processos de acomodação ao regime, cuja consequência foi a reordenação de seus princípios pedagógicos e o afastamento de militantes das alas mais radicais do movimento.

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Biografia do Autor

Profa. Dra. Kelly Ludkiewicz Alves, UFBA

Professora de História da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Prof. Dr. Flávio Américo Tonnetti, UFV

Professor do Departamento de Educação da UFV

Publicado

2021-12-03

Edição

Seção

Artigos