Ficção, leitura, utopia

possibilidades de sentido em Ricardo Piglia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.113-130

Palavras-chave:

Ricardo Piglia, ficção, literatura argentina, fragmentos, diários

Resumo

Este artigo procura investigar o estatuto da ficção na obra de Ricardo Piglia a partir de excertos de Os diários de Emilio Renzi, compreendendo “ficção” não como oposição a uma ideia de verdade, mas sim como formas possíveis de leitura. A ficção pigliana parece se configurar na criação de um sujeito narrativo imaginário que desloca a identidade autoral e constrói a ideia de escrita por meio de um movimento duplo, que envolve não apenas o autor, mas também o gesto da leitura. Nesse contexto, o diário e as formas breves assumem papel central, pois a fragmentação, a serialização e a circulação de histórias múltiplas permitem reorganizar a experiência e questionar suas formas tradicionais de representação. Piglia convoca o leitor a participar ativamente da construção de sentido, aproximando escrita e leitura em um mesmo regime discursivo, sendo através dessas distintas características das formas breves que se estabelece essa possibilidade de sentido. Desse modo, a ficção aparece como um modo de ler e ordenar o mundo, realizando uma atribuição de responsabilidade também ao leitor.

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Estudos Literários

Como Citar

ALMEIDA, Gabriel Zupiroli de. Ficção, leitura, utopia: possibilidades de sentido em Ricardo Piglia. Em Tese, Belo Horizonte, v. 32, n. 1, p. 113–130, 2026. DOI: 10.17851/1982-0739.32.1.113-130. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/emt/article/view/65018. Acesso em: 29 set. 2026.