De “pele negra” e cabelo “laranja”
como discentes do 6º ano de Pernambuco se autorrepresentam em personagens clássicos da Eneida
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.217-236Palavras-chave:
Ensino de História Antiga, Autorrepresentação, Eneida, Representação SocialResumo
Este artigo examina como discentes do 6º ano do Ensino Fundamental II, de uma escola pública do município de Carpina–PE, interpretam o Livro I da Eneida (em versão adaptada) e constroem representações a partir de produções textuais e iconográficas. O objetivo central é analisar de que maneira essas representações articulam processos de autorrepresentação dos próprios estudantes. Metodologicamente, o estudo baseia-se na adaptação de fontes históricas, conforme proposto por Wineburg e Martin (2009), associada à produção de recursos narrativos, como storyline, sinopse, roteiro e storyboard, compreendidos como dispositivos de construção simbólica à luz da teoria das representações sociais (Jodelet, 2001). A coleta de dados ocorreu por meio das produções desenvolvidas em sala de aula, elaboradas integralmente sob acompanhamento docente. Como resultado, vê-se que, ao representarem personagens clássicos, os estudantes mobilizam elementos de seu repertório sociocultural, produzindo releituras marcadas por referências contemporâneas, identitárias e afetivas. Conclui-se que o trabalho com narrativas clássicas, mediado por estratégias didáticas que valorizam a autoria discente, potencializa a construção de sentidos históricos e identitários compostos por tecituras de olhares, sentimentos e compreensões que trazem à baila um mundo antigo vividamente conectado com os anseios do presente.
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