Utopias e distopias no colapso da modernização, ou

como a crise altera os nossos regimes de expectativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29012

Resumo

Neste ensaio, pretendo perseguir uma intuição: está definitivamente terminada a era das utopias. Se algum dia já se sonhou em como as coisas poderiam ser melhores no futuro, esse tempo terminou. Soa como um enorme anacronismo alguém falar de uma utopia – seja lá de que malabarismo retórico se valha para tentar nos convencer. Não se espera nada do futuro – afinal, ele deixou de existir. Nossa experiência temporal é agora comprimida por um presentismo asfixiante. Do nosso horizonte se desfez a miragem de um futuro melhor. O máximo que parece ser possível fazer é garantir – com muitos esforços – que ele não seja pior. Vale notar: temos falhado miseravelmente nesse quesito.

 

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Biografia do Autor

Thiago Canettieri, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Brasil

Pesquisador de pós-doutorado em Geografia – IGC/UFMG

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Publicado

2020-12-31 — Atualizado em 2020-12-31

Como Citar

Canettieri, T. . (2020). Utopias e distopias no colapso da modernização, ou: como a crise altera os nossos regimes de expectativa. Indisciplinar, 6(2), 70–101. https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29012