Os movimentos do fazer-cidade

reflexões sobre uma utopia citadina

Autores

  • Giancarlo Marques Carraro Machado Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0001-7404-9737
  • Leonardo Brandão Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Blumenau, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29016

Palavras-chave:

Utopia, Citadinidade, Skate

Resumo

O presente texto apresenta, num primeiro momento, as implicações em torno do conceito de direito à cidade, tal como originalmente proposto por Henri Lefebvre (1968), na condição de uma utopia experimental, isto é, de uma reivindicação que fomenta resistências diante das forças que se estabelecem na produção capitalista das cidades. Em seguida é feita uma ponderação em torno das contradições do conceito, o qual tem sido tanto um denominador comum de lutas sociais quanto também cooptado por agentes vinculados ao gerenciamento neoliberal dos espaços urbanos. Apesar do caráter multifacetado do direito à cidade, o texto chama a atenção para perspectivas citadinas que permitem preencher um suposto significante vazio que permeia o conceito em tela. Dialogase, assim, com Michel Agier (2015), autor que pontua a importância de se considerar o fazercidade, ou seja, os movimentos que são incitados pelos impactos causados pelo gerenciamento da cidade como mercadoria e que, por conseguinte, são impulsionados por um apelo: o da cidade como um mito perdido, um horizonte inatingível. O texto finaliza com descrições etnográficas sobre os movimentos do fazer-cidade a fim de revelar como certas práticas e experiências urbanas – notadamente, a prática do skate de rua – constituem-se como uma utopia citadina frente aos gerenciamentos e governanças que são feitas dos espaços públicos e privados de São Paulo, cidade onde foram realizadas as investigações.

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Biografia do Autor

Giancarlo Marques Carraro Machado, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, Brasil

Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros (PPGDS/Unimontes) e do Departamento de Ciências Sociais da mesma instituição. Pósdoutorando, doutor e mestre Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). É professor permanente do Programa de Pósgraduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros (PPGDS/Unimontes) e do Departamento de Ciências Sociais da mesma instituição. Pesquisador vinculado ao Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo (NAU/USP). É autor do livro De carrinho pela cidade: a prática do skate em São Paulo (Intermeios/FAPESP, 2014). 

Leonardo Brandão, Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Blumenau, Brasil

Professor permanente do Programa de Pósgraduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau (PPGDR/FURB) e do Departamento de História e Geografia da mesma instituição. Pós-doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos do Lazer da Universidade Federal de Minais Gerais (PPGIEL/ UFMG) e doutor em História pela PUC-SP. É professor permanente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau (PPGDR/FURB) e do Departamento de História e Geografia da mesma instituição. É autor do livro Para além do esporte: uma história do skate no Brasil (Edifurb, 2014).

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Publicado

2020-12-31 — Atualizado em 2020-12-31

Como Citar

Machado, G. M. C. ., & Brandão, L. (2020). Os movimentos do fazer-cidade: reflexões sobre uma utopia citadina. Indisciplinar, 6(2), 212–233. https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29016