Barcos Possíveis

heterotopia como Terceira Margem

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29044

Palavras-chave:

Processos de criação, Terceira margem, Heterotopia

Resumo

Na genealogia do processo artístico Barcos Possíveis – inicialmente uma série de barquinhos de papel feitos com panfletos recolhidos no centro da cidade (Recife, Pernambuco) tendo como desdobramento a performance Oficina Rápida e Gratuita de Como Fazer? Barcos de Papel – estão algumas ficções que envolvem o tema das travessias. Uma delas é a do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, A Terceira Margem do Rio. Nesse conto, publicado em 1962, um homem decide encomendar uma pequena canoa para então viver à deriva nas águas de um rio. Essa travessia, endereçada a lugar nenhum (ou especificamente a um não-lugar), suscita todo tipo de incompreensibilidade na criação de uma margem inexistente. É possível acessar, através de Foucault (2013), um pensamento voltado a este tipo de espacialidade, essencialmente outra, quando ele amplia o conceito de heterotopia – uma utopia realizada – aplicando-o ao espaço. Partindo de um diálogo entre os dois autores, este texto pretende fazer ressoar na escrita parte da investigação artística que consiste no questionamento: como produzir e habitar terceiras margens? Para isso, traçamos uma topografia dos espaços/ margens que integram o mapa desta poética, ou seja, por onde transitam geograficamente e conceitualmente os Barcos Possíveis.

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Biografia do Autor

Luana Andrade, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, Brasil

Artista visual, mestranda pelo Programa Associado de Pós-Graduação em Artes Visuais (UFPB/UFPE) e licenciada em Artes Visuais (UFPE).

Luciana Borre, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, Brasil

Doutora em Arte e Cultura Visual (UFG), Mestre em Educação (PUCRS), Pedagoga (UFRGS), artista visual e professora nos cursos de graduação e pós-graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco.

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Publicado

2020-12-31 — Atualizado em 2020-12-31

Como Citar

Andrade, L. ., & Borre, L. . (2020). Barcos Possíveis: heterotopia como Terceira Margem. Indisciplinar, 6(2), 366–387. https://doi.org/10.35699/2525-3263.2020.29044