Modernismo brasileiro e injustiça estética

os perfis de valor estético e a síndrome de Medusa em Dominic Lopes

Autores/as

Palabras clave:

estética como arma, agente estético, pluralismo, injustiça social, cosmopolitismo

Resumen

O objetivo inicial deste artigo é caracterizar conceitualmente as noções de “estética como arma” e “injustiça estética” na teoria desenvolvida por Dominic Lopes, com especial atenção à formulação da “Síndrome de
Medusa” como um mecanismo de injustiça estética que restringe a agência estética de indivíduos e grupos. Em seguida, aplica-se a essas ideias a análise crítica do Modernismo brasileiro, argumentando-se que a consolidação de seus perfis normativos de valor estético deu origem a uma forma estrutural de injustiça estética no campo artístico nacional. A tese central defendida é que a perpetuação do perfil modernista, sob a aparência de um universalismo cultural, impõe condições assimétricas de participação simbólica e marginaliza formas alternativas de expressão estética – sobretudo aquelas produzidas fora dos grandes centros culturais. Tal processo manifesta-se como uma forma contemporânea da Síndrome de Medusa, na medida em que confere visibilidade apenas às práticas estéticas que reiteram os padrões consagrados, limitando a renovação plural e cosmopolita das culturas estéticas no Brasil.

Referencias

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Publicado

2025-12-29

Número

Sección

Artigos

Cómo citar

Modernismo brasileiro e injustiça estética: os perfis de valor estético e a síndrome de Medusa em Dominic Lopes. Revista Kriterion, [S. l.], v. 66, n. 162, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/kriterion/article/view/59648. Acesso em: 3 jan. 2026.