GIORDANO BRUNO E A METAMORFOSE DOS VALORES
Palavras-chave:
Teleologia, Infinito, Vicissitude, VirtudesResumo
Em “De Immenso et innumerabilibus”, Bruno refuta dois paradigmas teleológicos: o princípio aristotélico de que cada coisa, de acordo com a sua essência, aspira ao fim específico para o qual foi ordenada e a concepção platônica de arquétipo e de ideias transcendentes. O nolano pretende solapar as bases da teleologia escolástica e das hierarquias a ela associadas, de acordo com as quais cada ser possui o seu lugar e sua destinação determinada. Mas nem por isso se pode dizer que Bruno rejeita, pura e simplesmente, toda concepção valorativa e hierárquica da realidade. Antes, o que está em jogo, a nosso ver, é uma remodelação dos valores e o estabelecimento de uma certa concepção de perfeição e de finalidade na natureza, doravante atrelada ao infinito e à valorização da matéria e da vicissitude. O artigo abordará esse lugar ambíguo da finalidade e da teleologia no pensamento de Bruno, discutindo-o à luz não apenas de seus argumentos cosmológicos, como também de sua filosofia moral, apresentada em “Spaccio de la bestia trionfante”. Pretendemos indicar como são os mesmos valores que estão no fundamento tanto de sua concepção de natureza como de sua classificação das virtudes e dos vícios.
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