Políticas do movimento estudantil de psicologia no Brasil

  • Domenico Uhng Hur Universidade Federal de Goiás
  • Henrique Araujo Aragusuku Universidade de São Paulo
Palavras-chave: movimento estudantil, psicologia política, movimentos sociais, história da psicologia

Resumo

Nos estudos da história da psicologia brasileira, um campo que costuma ser pouco investigado é o da história de suas entidades políticas. Este artigo visa realizar um histórico do movimento estudantil de psicologia para discutir suas práticas políticas. Realizamos uma revisão bibliográfica e a observação participante de Encontros Nacionais de Estudantes de Psicologia. Diferenciamos quatro formas de organizações estudantis a partir do conceito de movimento social de A. Melucci: a organização tradicional que tem fins políticos, a associação esportiva, a empresa júnior e os coletivos sociais autônomos. Concluímos que o movimento estudantil de psicologia modulou sua atuação a partir dos principais acontecimentos políticos do país, como a opressão do regime militar, a redemocratização do país, a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao Governo Federal e o atual momento de crise política e radicalização das lutas sociais. Sua atuação também focou a formação em psicologia, com muitos debates sobre o currículo dos cursos de psicologia desde a década de 1960.

 

Biografia do Autor

Domenico Uhng Hur, Universidade Federal de Goiás
Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio doutoral na Universitat Autònoma de Barcelona/Catalunya, e pós-doutoral na Universidad de Santiago de Compostela/Espanha. Professor associado de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Secretário de Pesquisas da Associação Ibero-latinoamericana de Psicologia Política.
Henrique Araujo Aragusuku, Universidade de São Paulo
Psicólogo formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Especialista em Psicologia Política pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e mestrando em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

Referências

Antunes, M. A. M. (1998). A psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: EDUC.

Aragusuku, H. A. & Lee, H. O. (2015). A psicologia brasileira e as políticas LGBT no Conselho Federal de Psicologia. Revista Gestão & Políticas Públicas, 5(1), 131-154.

Bock, A. M. B. (1999). Aventuras do Barão de Munchhausen na Psicologia. São Paulo: EDUC/Cortez.

Castoriadis, C. (1982). A instituição imaginária da sociedade (G. Reynaud, Trad.). Rio de Janeiro: Paz e Terra. (Original publicado em 1975).

Ciampa, A. C. (1987). A estória do Severino e a história da Severina. São Paulo: Brasiliense.

Conselho Federal de Psicologia (2013). A verdade é revolucionária: testemunhos e memórias de psicólogas e psicólogos sobre a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Brasília: CFP.

Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto (2a ed.). (L. O. Rocha, Trad.). Porto Alegre: Artmed. (Original publicado em 2003).

Deleuze, G. & Guattari, F. (1997). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia(Vol. 5). (A. L. Oliveira, Trad.). São Paulo: 34. (Original publicado em 1980).

Fernandes, F. M. B. (2015). Considerações metodológicas sobre a técnica de observação participante. Em R. A. Mattos & T. W. F. Baptista. Caminhos para análise das políticas de saúde[versão digital](pp. 487-506). Recuperado em 24 de outubro, 2018, de historico.redeunida.org.br/editora/biblioteca-digital/serie-interlocucoes-praticas-experiencias-e-pesquisas-em-saude/caminhos-para-analise-das-politicas-de-saude-pdf

Foracchi, M. M. (1972). A juventude na sociedade moderna. São Paulo: Pioneira.

Foucault, M. (1979). Microfísica do poder (R. Machado, Org. e Trad.). São Paulo: Graal. (Original publicado em 1975).

Gorender, J. (1998). Combate nas trevas(5a ed. rev. ampl.). São Paulo: Ática.

Guattari, F. (1987). Revolução molecular (3a ed.) (S. B. Rolnik, Trad.). São Paulo: Brasiliense. (Original publicado em 1977).

Guedes, M. C. (1998). História e historiografia da psicologia: revisõese novas pesquisas. São Paulo: EDUC.

Hardt, M. & Negri, A. (2006). Multitud: Guerra y democracia en la era del Imperio. Barcelona: Debate.

Hur, D. U. (2003). Reflexões sobre o Conselho Regional de Estudantes de Psicologia (COREP-SP) e o Movimento Estudantil (ME): Uma análise a partir de 1960. Revista de Psicologia Política, 3(5), 159-176.

Hur, D. U. (2007). A Psicologia e suas entidades de classe: histórias sobre sua fundação e algumas práticas no Estado de São Paulo nos anos 70. Revista de Psicologia Política, 13(1). Recuperado em 4 de junho, 2018, de www.fafich.ufmg.br/rpp/seer/ojs/viewarticle.php?id=17&layout=html

Hur, D. U. (2009). O surgimento da esquerda nas entidades profissionais dos psicólogos de São Paulo, CRP-06 e SPESP, no período da aberturapolítica brasileira. Mnemosine, 5(1), 126-145. Recuperado em 8 de maio, 2018, de www.mnemosine.com.br/ojs/index.php/mnemosine/article/view/167/pdf_152

Hur, D. U. (2012). Políticas da psicologia: histórias e práticas das associações profissionais (CRP eSPESP) de São Paulo, entre a ditadura e a redemocratização do país. Psicologia USP, 23, 69-90. Recuperado em 8 de agosto, 2018, de www.revistas.usp.br/psicousp/article/view/42166/45839

Hur, D. U. (2013a). Psicologia Comunitária e Política: Entre a autonomia e o Estado. Pesquisas e Práticas Psicossociais, 8 (1), 47-62. Recuperado em 8 de agosto, 2018, de seer.ufsj.edu.br/index.php/revista_ppp/article/view/522/486

Hur, D. U. (2013b). Memórias da guerrilha: construção e transformação. Psicologia e Sociedade, 25(2), 311-320. Recuperado em 8 de agosto, 2018, de www.scielo.br/pdf/psoc/v25n2/08.pdf

Hur, D. U. (2018). Psicologia, política e esquizoanálise. Campinas: Alínea.

Hur, D. U. & Lacerda Jr., F. (2016). Psicologia Política Crítica: insurgências na América Latina. Campinas: Alínea.

Lapassade, G. (1980). Grupos, Organizações e Instituições. Rio de Janeiro: Francisco Alves.Massimi, M. (1990). História da psicologia brasileira: da época colonial até 1934. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária.

Massimi, M. & Guedes, M. C. (2004). História da Psicologia no Brasil: Novos estudos. São Paulo: Educ & Cortez.

Matos, O. C. F. (1989). Paris 1968 –As barricadas do desejo(3a ed.). São Paulo: Brasiliense.

Melucci, A. (2001). A invenção do presente: Movimentos Sociais nas sociedades complexas. São Paulo: Vozes.

Mendes Jr., A. (1982). Movimento Estudantil no Brasil. São Paulo: Brasiliense.

Piccinini, C. A.; Palombini, A.; Gauer, G.; Machado, P.S.; & Simanke, D. (Orgs.). (2014). Curso de Psicologia da UFRGS –40 anos. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Poerner, A. J. (1979). O Poder Jovem. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira.

Ribeiro, M. A. (1998). ENEP (Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia) -História e Memória de um Movimento. (Dissertação de Mestrado). Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Ribeiro, M. A. (2007). História do movimento estudantil na psicologia: leituras e reflexões acerca do ENEP (Encontro Nacional dos Estudantes de Psicologia). Memorandum, 13, 100-119. Recuperado em 8 de agosto, 2018, de seer.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/10004/7731 Ridenti, M. (1993). O Fantasma da revolução brasileira. São Paulo: Ed. UNESP.

Ridenti, M. & Reis, D. A. (Org.). (2007). História do Marxismo no Brasil. Volume 6: Partidos e Movimentos após os anos 1960. Campinas, SP: Ed. UNICAMP.

Sales, J. R. (2007). A luta armada contra a ditadura militar: a esquerda brasileira e a influência da revolução cubana. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo.

Sandoval, S.; Hur, D. U.; & Dantas, B. S. (2014). Psicologia Política: temas atuais de investigação. Campinas, SP: Alínea editorial.

Santos, M. C. L. (Org.). (1988). Maria Antônia: uma rua na contramão. São Paulo: Nobel.

Skidmore, T. E. (1998). Uma História do Brasil. São Paulo: Paz e Terra.

Sá-Silva, J. R.; Almeida, C. D.; & Guindani, J. F. (2009). Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais, 1(1), 1-15.

Valdo, J. P. S.; Teixeira, R. V.; & Silva, S. P. (2016). As contribuições e os entraves das organizações políticas no interior do Movimento Estudantil de Serviço Social. Universidade e Sociedade, 59(1), 136-147.

Publicado
2018-12-13
Como Citar
Hur, D., & Aragusuku, H. (2018). Políticas do movimento estudantil de psicologia no Brasil. Memorandum: Memória E História Em Psicologia, 35, 184-204. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6893
Seção
Artigos