Erínias do sertão

de Ésquilo para Euclides da Cunha e Guimarães Rosa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.60229

Palavras-chave:

Grande sertão: veredas, julgamento, mitologia, Os sertões, tragédia

Resumo

Este artigo tem por objetivo investigar o diálogo da tragédia grega Eumênides, de Ésquilo, com Os sertões, de Euclides da Cunha, e com Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, tendo em conta para tal, comparativamente: o papel das Erínias no julgamento do protagonista Orestes e a própria instauração do tribunal que o julga na obra teatral antiga, passagens e aspectos de teor trágico envolvendo julgamento e tribunal nos textos brasileiros. Contextualizado importantes contribuições da fortuna crítica dessas três obras canônicas, a análise, preponderantemente estética ou semiótica, tem por fundamentos teórico-conceituais os estudos de mitologia (textos de autores como Junito de Souza Brandão e Jaa Torrano), os “passeios inferenciais” de Umberto Eco (1979, 1994), a transtextualidade de Gérard Genette (2010) e as “transições trágicas” de Terry Eagleton (2020). O conteúdo crítico e o instrumental teórico fundamentam a existência do diálogo com a obra de Ésquilo e nos incitam a questionar as razões para que dois autores interessados no sertão brasileiro – em épocas diferentes, não definidas pelo resgate clássico – tenham se voltado para topoi trágicos da antiguidade grega. A resposta a esse questionamento, concluída pelo nosso estudo, articula texto, contexto, repertórios e leituras dessas três obras e as vê como expressões literárias cujo legado dá forma a certos aspectos ainda vigentes na nossa cultura.

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Biografia do Autor

  • Allan Marx de Morais Pereira, Universidade Estadual de Campinas | Campinas | SP | BR

    Mestrando em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas, especialista em Revisão de Textos pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, licenciado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás. Pesquisador das obras Os sertões, de Euclides da Cunha, e Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. 

  • Cristine Fickelscherer de Mattos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro | São Gonçalo | RJ | BR

    Possui graduação em Letras (Bacharelado) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1986), licenciatura em Letras pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (1987), mestrado (1993) e doutorado (2004) em Letras também pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e pós-doutorado em Letras e Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é docente na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, associada a instituições de pesquisa e grupos do CNPq e pós-doutoranda em Estudos comparados na Universidade de São Paulo. Publicou pela editora mexicana a antologia de Tomás Eloy Martínez, La otra realidade (2006), pela editora Mackenzie o livro Conceitos e práticas de literatura comparada (2021), em coautoria com Helena Bonito, e organizou pela editora Pontes o livro Leituras intermidiáticas e intermidialidade narrativas (2024), em coautoria com Maria Cristina Cardoso Ribas e Thaís Flores Nogueira Diniz.

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Publicado

2026-08-31

Como Citar

Erínias do sertão: de Ésquilo para Euclides da Cunha e Guimarães Rosa. (2026). Nuntius Antiquus, 22(1), e60229. https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.60229