Paisagens bucólicas de Virgílio

uma comparação entre as traduções inglesas e portuguesas dos versos 1-10 da “Écloga” I (com uma proposta de tradução em hexâmetro dactílico vernáculo)

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DOI:

https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.62753

Parole chiave:

Virgílio, Bucólicas, hexâmetro dactílico, tradução (inglês e português), métrica e ritmo

Abstract

As traduções da “Écloga” I de Virgílio para o inglês e o português revelam como duas tradições linguísticas e poéticas distintas remodelam o universo pastoral do poema latino. Este estudo analisa a interação entre forma, ritmo e sentido na passagem do hexâmetro dactílico ao verso moderno, ao considerar exemplos em prosa, pentâmetro iâmbico, decassílabo, alexandrino, dodecassílabo, tetradecassílabo, verso livre e padrões hexamétricos dactílicos vernáculos. As versões inglesas, sobretudo a partir do século XX, tendem a privilegiar a clareza, enquanto as versões em língua portuguesa, especialmente as brasileiras, exploram com maior profundidade a ressonância melódica da língua, beneficiadas por sua maior afinidade com o latim (tais elementos se veem mais correntemente em propostas de tradução feitas no Brasil, já que as traduções portuguesas, assim como as traduções inglesas, parecem pôr em evidência a clareza tradutória). O argumento apoia-se na teoria do skopos e nas ideias de Jacques Derrida (2002) e Haroldo de Campos (2011) para sugerir que a fidelidade na tradução não constitui uma equivalência fixa, mas um processo dinâmico de recriação moldado pelos contextos linguístico e cultural. A análise culmina em uma versão portuguesa da “Écloga” I, composta no hexâmetro dactílico vernáculo, forma particularmente adequada para transmitir a cadência, a estrutura musical e a profundidade tonal do verso pastoral de Virgílio.

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Biografie autore

  • Charlene Martins Miotti, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) | Juiz de Fora | MG | BR

    Professora Associada de Língua e Literatura Latina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (com ênfase em Escrita Criativa) desde 2014. Foi editora-chefe da revista Classica: Brazilian Journal of Classical Studies (2021–2024), vice-presidente (2020–2021) e tesoureira (2018–2019) da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC). Atualmente, é coordenadora do curso de Bacharelado em Letras – Tradução (2024–2027) da UFJF e líder do grupo de pesquisa CirceA – Círculo de Estudos da Antiguidade (CNPq/SBEC). Possui graduação e licenciatura em Letras (2000–2003), mestrado (2004–2006, com bolsa da Fapesp) e doutorado (2006–2010, com bolsa da CAPES) em Linguística (Estudos Clássicos) pela Universidade Estadual de Campinas, com estágio de doutorado (2008–2009) na Università degli Studi di Siena (Unisi, Itália), sob a supervisão do Prof. Simone Beta.

  • William John Dominik, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) | Juiz de Fora | MG | BR

    William J. Dominik recebeu o seu PhD em Estudos Clássicos pela Universidade Monash (MON) em 1989. Atualmente é Professor Emérito de Estudos Clássicos da Universidade de Otago (UO) e Professor Catedrático Convidado e Investigador Integrado de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa (ULisboa). Tem um extenso histórico de aulas proferidas em Estudos Clássicos e Humanidades, especialmente na Universidade de Otago e na Universidade de Natal (UN), atualmente integrada à Universidade de KwaZulu-Natal (UKZN), onde atuou como Professor e Chefe da Cátedra de Estudos Clássicos.

  • José Amarante Santos Sobrinho, Universidade Federal da Bahia (UFBA) | Salvador | BA | MG

    Possui, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduação em Letras Vernáculas (1999), mestrado em Letras e Linguística (2005) e doutorado em Língua e Cultura (2013), tendo sido a sua tese premiada com o Prêmio CAPES de Teses 2014 (Letras e Linguística) e com o Prêmio ANPOLL de Teses 2014 (Menção honrosa). Atuou em educação básica no ensino público, foi diretor pedagógico de ensino privado na Bahia. Atuou como professor de graduação em instituições públicas e privadas da Bahia. Em 2006, seu livro de contos "Ainda em flor", publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado, recebeu o Prêmio Braskem de Literatura. É professor de Língua e Literatura Latinas na Universidade Federal da Bahia, atuando também como professor permanente no Programa de Pós-graduação em Língua e Cultura. 

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Pubblicato

2026-11-03

Come citare

Paisagens bucólicas de Virgílio: uma comparação entre as traduções inglesas e portuguesas dos versos 1-10 da “Écloga” I (com uma proposta de tradução em hexâmetro dactílico vernáculo). (2026). Nuntius Antiquus, 22(2), e62753. https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.62753