Ruptura de silenciamentos em Cartas para a minha mãe, de Teresa Cárdenas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2358-9787.34.3.207-221

Palavras-chave:

Silenciamento, Rupturas, Cartas para a minha mãe, Teresa Cárdenas

Resumo

Em meio a uma arena de enfrentamentos diários, o ser mulher se depara com a construção de categorias, sendo o gênero a mais proeminente na delimitação de sua vivência (Connell; Pearse, 2019). Compreendido como uma estrutura social, a categoria de gênero se encontra transpassada por discursos, ideologias e dominâncias ocasionados de tecnologias sociais e políticas, produzindo, como uma de suas consequências, silenciamentos. Tal mecanismo de controle é utilizado, a título de exemplo, para estabelecer hierarquias de poderes, instituir categorias de repressão e opressão, ou, por vezes, calar vozes marginais que possuem a capacidade de romper o indizível, transformando o tolerável em intolerável (Solnit, 2017). Partindo de tal premissa, o presente artigo tem por objetivo a compreensão da ruptura de silêncios e silenciamentos na obra Cartas para a minha mãe, de Teresa Cárdenas (2021). Em meio à narrativa, há o compartilhamento tanto de dores quanto de receios e silêncios familiares, os quais impulsionam a personagem ao seu rompimento, processo que se faz possível através da escrita de suas cartas-diário. À vista disso, partindo de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa e cunho exploratório, faz-se necessário o uso de estudiosas (os) como Lauretis (2019), hooks (2021), Piedade (2017), Gonzalez (2020), Fanon (2008), dentre outros. Sendo perceptível, portanto, a compreensão da ruptura de silenciamentos impostos à narradora auto diegética através da sua escrita e do encontro de uma comunidade oriunda do compartilhamento de dores e vivências ao longo da narrativa.

Biografia do Autor

  • Maria Beatriz Ferreira Santos, Universidade Estadual do Piauí (UESPI) Teresina | PI | BR

    Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), na área de concentração Literatura e Cultura e na linha de pesquisa Literatura, Historiografia e Memória Cultural.

  • Algemira De Macedo Mendes, Universidade Estadual do Piauí (UESPI) Teresina | PI | BR

    Professora Associada IV da Universidade Estadual do Piauí e Emérita da Universidade Estadual do Maranhão, atuando na Graduação e no Mestrado em Letras da UESPI/UEMA.

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Publicado

2025-10-14

Edição

Seção

Dossiê: Territórios indivisíveis: Corpo, escrita e política no Brasil e na América hispânica