“Dia da caça, dia do caçador”
o arquivo convulsionante da ditadura brasileira em Sempreviva, de Antonio Callado
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.2.%25pPalavras-chave:
Estética bakhtiniana, Mal de arquivo, Memória, ImagemResumo
Este trabalho investiga as dimensões mnemônicas e arquivais do romance Sempreviva, de Antonio Callado. Com base na estética bakhtiniana e na teoria do arquivo derridiana, enfoca-se a obra em sua historicidade aberta, a partir da sua materialidade. Quatro etapas analíticas são realizadas no decorrer do estudo. Primeiro, recompõe-se as coordenadas espaço-temporais do romance e as problemáticas centrais ao desenvolvimento da pesquisa. Em seguida, trabalha-se os desníveis entre extra e intradiegese e entre memória e arquivo. Na quarta seção, confere-se à narrativa uma forma sintética, a partir dos agentes da rememoração e do arquivamento, as três-seis personagens fraturadas. Na última etapa, propõe-se uma síntese conclusiva das dinâmicas conservação/abertura, arquivo/memória e obra/arquivo, conforme os atravessamentos do romance. Ao final, alcança-se o entendimento de que a heterogeneidade anarquívica é preservada, mas abre-se para um porvir consumador, do qual se espera uma resposta ou uma nova (con)formação apaziguadora do conflito convulsionante que é o estado de memória e arquivo de um país inacabado e em autodestruição.
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