A melancolia como inflexão estética em Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.2.%25pPalavras-chave:
melancolia, experiência estética, Clarice LispectorResumo
Este artigo analisa os efeitos da melancolia como forma de lucidez, potencializados pelas experimentações estéticas em Água viva (1973) e nas correspondências de Clarice Lispector. Enquanto no livro a autora explora a plasticidade da linguagem em diálogo com o gesto pictórico, em suas cartas – endereçadas a Olga Borelli, Lúcio Cardoso e Fernando Sabino – ela articula a “densidade da linguagem” como resistência a um mal-estar existencial e social. Percebe-se que a “experiência negativa” mobiliza um pensar aguçado nas narrativas claricianas, onde a melancolia atua como impulsionadora de indagações ontológicas. Conclui-se que as obras estudadas operam uma estética que integra dor, angústia e sofrimento por meio da especulação reflexiva de seus narradores, transmutando o afeto em potência crítica.
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