Vida mínima e território sem mando

o sentido histórico dos últimos contos de Guimarães Rosa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.2.%25p

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, Tutaméia, literatura brasileira

Resumo

Nos contos de Tutameia (1967), de Guimarães Rosa, o contraste entre campo e cidade mostra-se a contrapelo, na centralização das tramas em vilarejos longínquos, onde, mesmo quando vigoram as instituições burguesas repressivas, o que está em causa parecem ser as leis primitivas da justiça, da solidariedade, bem como a opção pela vida livre e a recusa à exploração permanente. Assim, pela motivação temática e pelo ângulo dos narradores, configura-se a imagem de uma comunidade endógena, que, entretanto, mostra-se capaz apenas de projetar uma vida individualizada nos laços de um clã familiar ou de um pequeno território apartado. O anseio de apaziguamento e de continuidade da vida não conduz necessariamente ao riso cômico, mas tende simbolicamente à boa resolução diante de um mundo catastrófico. A obra supõe, portanto, que ainda há uma estória a contar a partir da situação dos sertanejos em um fim de mundo, mas essa estória é introduzida por um discurso que afasta o leitor citadino. Este artigo descreve e busca apreender a estruturação desse espaço ficcional, considerando a sua função na figuração de um país oculto, em que o progresso não está em pauta nem sequer é desejado.

Biografia do Autor

  • Maurício Reimberg, Universidade de São Paulo (USP) | São Paulo | SP | BR

    Maurício Reimberg é doutor em Teoria Literária e Literatura
    Comparada pela Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado

2026-06-26