Violência, trauma e reorientação
Em Câmara Lenta, de Renato Tapajós
DOI :
https://doi.org/10.17851/2358-9787.34.4.%25pMots-clés :
Em Câmara Lenta, Renato Tapajós, Realismo Feroz, Ditadura MilitarRésumé
O presente artigo analisa o romance Em câmara lenta (1977), de Renato Tapajós, como uma das primeiras expressões literárias da violência política e do trauma coletivo provocados pela ditadura militar brasileira. Com estrutura fragmentária e marcada por imagens recorrentes e linguagem cinematográfica, a narrativa encena a impossibilidade de elaborar plenamente a experiência traumática. Dialogando com conceitos como o “realismo feroz” (Candido) e a “literatura do trauma” (Seligmann-Silva), a obra articula memória, testemunho e crítica à luta armada, apontando para uma reorientação ideológica da militância de esquerda nos anos 1970. Ao mesmo tempo documento e denúncia, o romance contribui para a construção de uma memória crítica da violência de Estado no Brasil.
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