Indianismo na primeira década do periodismo romântico (1833-1845)
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.1.55-71Palavras-chave:
Romantismo, Indianismo, JornalismoResumo
Frequentemente, quem estuda a história de nossa literatura oitocentista tem a impressão de que a representação idealizada do índio como símbolo do espírito nacional foi uma solução estética procurada desde os primeiros tempos pelos introdutores da corrente romântica. Trata-se, porém, de uma constatação equivocada. Quando nos debruçamos sobre a produção jornalística desse período inicial, deparamo-nos com um fenômeno curioso: nela é pequena, proporcionalmente, a presença de propostas ou exemplos de literatura indianista. Tem-se a impressão, percorrendo periódicos como o Jornal dos Debates ou a Revista Nacional e Estrangeira, órgãos bastante representativos da sensibilidade contemporânea, que o indianismo não possuía, para esses primeiros românticos, o valor indispensável que a crítica posterior lhe atribuiu. É o que este artigo pretende mostrar. A partir do exame de importantes periódicos literários publicados entre 1833 e 1845, ver-se-á que a formação de nossa corrente indianista não se deu espontaneamente logo após a independência política, mas de maneira lenta, gradual e acidentada.
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