Par ou ímpar? Uma aposta sobre o traço de Jacques Derrida em Restitutions – de la Vérité en Pointure

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Palavras-chave:

Traço, Imagem, Discurso, Estética, Desconstrução

Resumo

Em Restitutions – de la Vérité en Pointure, Jacques Derrida discorre sobre o pictural e a verdade a partir de dois discursos sobre um célebre quadro de van Gogh – do filósofo Martin Heidegger e do crítico de arte Meyer Schapiro. Derrida abre algumas fissuras nesses discursos a fim de trazer à superfície o que os assombra em seu interior: o desejo de apropriação criptografado no desejo de restituição dos sapatos pintados a alguém real. A escrita espaçante e temporalizante de Derrida sobre a arte e a estética opera o movimento performativo do traço, considerando principalmente o que foi tratado em Memórias de Cego. Concluímos então que pensar a estética a partir do traço é uma maneira possível de recolocá-la em outro lugar que não o da pergunta ontológica pelo que é arte, bem como de questionar a necessidade de um retorno ao próprio e de um limite definidor entre o que é intrínseco à arte e o que lhe é marginal.

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Referências

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Publicado

2026-04-06

Como Citar

Par ou ímpar? Uma aposta sobre o traço de Jacques Derrida em Restitutions – de la Vérité en Pointure. Outramargem: revista de Filosofia, Belo Horizonte, Brasil, v. 2, n. 3, p. 27–42, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/outramargem/article/view/65500. Acesso em: 9 jun. 2026.