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v. 2 n. 3 (2015): 2º Semestre de 2015
Par ou ímpar? Uma aposta sobre o traço de Jacques Derrida em Restitutions – de la Vérité en Pointure
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Enviado
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abril 6, 2026
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Publicado
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2026-04-06
Resumo
Em Restitutions – de la Vérité en Pointure, Jacques Derrida discorre sobre o pictural e a verdade a partir de dois discursos sobre um célebre quadro de van Gogh – do filósofo Martin Heidegger e do crítico de arte Meyer Schapiro. Derrida abre algumas fissuras nesses discursos a fim de trazer à superfície o que os assombra em seu interior: o desejo de apropriação criptografado no desejo de restituição dos sapatos pintados a alguém real. A escrita espaçante e temporalizante de Derrida sobre a arte e a estética opera o movimento performativo do traço, considerando principalmente o que foi tratado em Memórias de Cego. Concluímos então que pensar a estética a partir do traço é uma maneira possível de recolocá-la em outro lugar que não o da pergunta ontológica pelo que é arte, bem como de questionar a necessidade de um retorno ao próprio e de um limite definidor entre o que é intrínseco à arte e o que lhe é marginal.
Referências
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