Mediações da informação: sentidos sócio-históricos

Autores

Palavras-chave:

mediação e informação. Materialismo histórico. Conhecimento e tecnologia. Mediação social.

Resumo

O termo mediação apresenta-se no campo de estudos da informação como importante categoria que orienta o olhar para as diferentes questões relacionadas à produção, acesso, consumo, apropriação e organização de informações. Considerando a relevância que o termo adquiriu na Ciência da Informação e a polissemia que marca o seu uso, o artigo tem em vista apresentar reflexões derivadas de pesquisa de pós-doutorado que buscou, dentre outros objetivos, explorar a gênese histórica e filosófica do termo, bem como apontar perspectivas do seu uso na construção e apreensão dos objetos info-comunicacionais na contemporaneidade. Para tanto, investiga as raízes do conceito na dialética (G.W.F. Hegel; K. Marx) e sua reformulação por meio do construto “mediação social” no campo comunicacional (M. Martín Serrano). Finalmente, consideram-se abordagens de linhagem francesa das Ciências da Informação e da Comunicação (Y. Jeanneret; J. Davallon) sobre a economia das escritas na web, com foco nas micro-formas documentárias. Essas diferentes abordagens mostram-se complementares no sentido de abarcar diferentes planos das mediações da informação - macro e micro sociais, teórico-conceituais e empírico-aplicados, documentários e processuais - em suas múltiplas e relacionais determinações.

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O processo histórico de constituição do gênero humano, a passagem do ser puramente biológico para o ser social contou com a forma de mediação fulcral do trabalho, uma vez que foi por meio da relação entre humanos e natureza mediada pelo trabalho que a satisfação das necessidades humanas, orientada não mais pela lógica instintiva do animal, mas por uma ação conscientemente direcionada a um fim, se tornou possível. O trabalho (e os instrumentos de trabalho) são, assim, para Marx, mediações fundamentais para que o ser social exista, ou em outros termos, a condicionante da existência humana, em todas as épocas, a partir da qual se constitui o ser social.

O autor observa que Marx questiona, frequentemente, o porquê de as relações de produção assumirem determinadas formas. As “formas” em questão são a forma-mercadoria, a forma- valor, a forma-dinheiro, a forma-salário etc., entendidas como mediações da relação capital-trabalho e das relações de classes sob o capitalismo (GUNN, 1987).

Manuel Martín Serrano é professor e pesquisador da Facultad de Ciencias de la Información, da Universidad Complutense de Madrid.

Uma discussão sobre as micro-formas documentárias e mediações foi feita na 4ª Jornada Internacional da Rede Mussi, realizada na Escola de Ciência da Informação da UFMG, em 2019.

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Publicado

2021-04-01

Edição

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Artigos