Ficções de si
a escrita entre línguas-culturas
Palavras-chave:
contatos linguísticos, escrita, identidadeResumo
Neste artigo, propomo-nos a indagar sobre o papel da escrita no aprendizado de línguas estrangeiras e na construção de uma imagem de si em uma língua outra. Para tanto, analisamos excertos da produção textual de aprendizes de português como língua estrangeira, realizada durante o ano letivo de 2013-2014. Inseridos no domínio da Linguística Aplicada, ancoramos esta discussão no cruzamento entre os estudos do discurso, da psicanálise e da desconstrução, entendendo que a escrita na língua do outro não só (d)enuncia o imaginário acerca do estrangeiro, mas também funciona como espelho para uma constituição identitária múltipla e em constante transformação. Os fragmentos analisados permitem-nos afirmar que é possível escrever(-se) para além da estaticidade que, muitas vezes, impera nas atividades de escrita escolares/acadêmicas, o que contribui para a (re)inscrição de si, afetada pela presença constante do outro, enquanto multiplicidade irredutível a uma única língua-cultura.
Downloads
Referências
BARROS, M. de. (2000). Ensaios Fotográficos. Rio de Janeiro: Record.
CORACINI, M. J. (2007). A celebração do outro. Campinas: Mercado de Letras.
DA ROSA, M. T. (2009). Entre uma língua e outra: desdobramentos das designações língua materna e língua estrangeira no discurso do sujeito pesquisador da linguagem. 2009. Dissertação (Mestrado em Letras) - Centro de Artes e Letras, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 134 p.
DA ROSA, M. T. (2013). O discurso universitário-científico na contemporaneidade: marcas e implicações na constituição identitária do pesquisador em formação. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 251p.
DECROSSE, A. (1989). Um mito histórico, a língua materna. In: BOUTET, J.; VERMES, G. (Orgs.). Multilingüismo. Trad. Tania Alkmim. Campinas: Editora da Unicamp, p. 19-27.
DELEUZE, G; GUATTARI, F. (1980/1995). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia1. Trad. Aurélio Guerra Neto e Celia Costa. Rio de Janeiro: Editora 34.
DELEUZE, G; PARNET, C. (1996/1998). Diálogos. Trad. Eloisa Ribeiro. São Paulo: Editora Escuta.
DERRIDA, J. (1996/2001). O monolinguismo do outro ou a prótese de origem Trad. Fernanda Bernardo. Porto: Campo das Letras Editores S. A.
DERRIDA, J. (1972/1991). Margens da filosofia. Trad. Joaquim Torres Costa e António Magalhães. Campinas: Papirus Editora.
DERRIDA, J. ; ROUDINESCO, E. (2001/2004). De que amanhã... Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
FOUCAULT, M. (1969/2009). A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
FOUCAULT, M. (1979/2010). Microfísica do Poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal.
FREUD, S. (1919/1976). O estranho. In: FREUD, S. Obras completas. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. 17. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago, p. 85-125.
GLISSANT, E. (2001/2005). Introdução a uma poética da diversidade. Trad. Enilce Albergaria Rocha. Juiz de Fora: Editora UFJF.
GINZBURG, C. (1976/2006). O queijo e os vermes. Trad. Maria Betânia Amoroso e José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras.
HEMINGWAY, E. (1940/1976). Por quem os sinos dobram. Trad. Monteiro Lobato. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
KRISTEVA, J. (1988/1994). Estrangeiros para nós mesmos. Trad. Maria Carlota Gomes. Rio de Janeiro: Rocco.
LACAN, J. (1974). Télévision. Paris: Seuil.
MEIRELES, C. Martin Fierro: explicação e protesto do homem desamparado. Correio da manhã Rio de Janeiro, 07 de novembro de 1948. Disponível em: Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_05&pagfis=44216&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader# Acesso em: 19 out. 2015.
MELMAN, C. (1992). Imigrantes: incidências subjetivas das mudanças de língua e país. Trad. Rosane Pereira. São Paulo: Escuta.
PIETROLUONGO, M. A. (2001). O estrangeiro de mim. Gragoatá. Niterói: EDUFF, n. 11, p.193-206.
PRASSE, J. (1997). O desejo das línguas estrangeiras. Revista Internacional. Rio de Janeiro. Ano 1, n. 1, p. 63-73.
PRIEUR, J-. M. (2006a). Des écrivains en contact de langues. Études de linguistique appliquée. n. 144, pp. 485-492. Disponível em: Disponível em: http://www.cairn.info/revue-ela-2006-4-page-485.htm Acesso em: 28 out. 2014. » www.cairn.info/revue-ela-2006-4-page-485.htm
PRIEUR, J-. M. (2006b). Contact de langues et positions subjectives. Langage et société. n. 116, p. 111-118.
RICOEUR, P. (1990). Soi-même comme un autre. Paris: Éditions du Seuil.
PRIEUR, J-. M. (2008). La vie : un récit en quête de narrateur. In: RICOEUR, P. Écrits et conférences I: autour de la psychanalyse., Paris: Éditions du Seuil p. 257-276.
ROBIN, R. (2003). Le deuil de l'origine. Paris : Éditions Kimé.
ROBIN, R. (1995). Gratok, langue de vie et langue de mort. Meta. v. 40, n. 3, p. 482-487.
ROCHA, E. A. (2005). Prefácio. In: GLISSANT, E.. Introdução a uma poética da diversidade Trad. Enilce Albergaria Rocha., Juiz de Fora: Editora UFJF p. 9-11.u
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2016 Revista Brasileira de Linguística Aplicada

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores de artigos publicados pela RBLA mantêm os direitos autorais de seus trabalhos, licenciando-os sob a licença Creative Commons BY Attribution 4.0, que permite que os artigos sejam reutilizados e distribuídos sem restrição, desde que o trabalho original seja corretamente citado.


