Willemsen Antropofágico

o criador da literatura brasileira na Holanda

Autores/as

  • Zelina Márcia Pereira Beato UESC ##default.groups.name.author##

Palabras clave:

August Willemsen, tradução criativa, transcriação, literatura brasileira

Resumen

Na leitura dos posfácios do tradutor August Willemsen presentes nas obras de alguns dos maiores escritores brasileiros publicados na Holanda, fica clara a noção de fidelidade que orienta seu trabalho de tradução. Willemsen reafirma sua promessa de fidelidade, seja quando justifica o que faz, seja quando confessa sua impotência em repetir o que julga ser o sentido do original. Neste texto, que faz parte de um projeto de pesquisa de pós-doutoramento, minha proposta é introduzir uma reflexão no campo da Linguística Aplicada Crítica em torno do tema da fidelidade, conceito tão caro aos Estudos da Tradução e que, invariavelmente, envolve as questões da língua em seus vários funcionamentos: semântico, fonológico, sintático e cultural, ou seja, em todos os aspectos do uso da língua e de seus atributos linguísticos e culturais. No caso específico do trabalho de Willemsen, a reflexão aborda a promessa de fidelidade do tradutor, também declarada em entrevistas e ensaios, e as traduções criativas que, de fato, produz. A tese que anima essa abordagem é de que, mesmo declarando sua fidelidade aos autores que ama e traduz, considerando-se a visão tradicional de fidelidade como repetição da totalidade do sentido, Willemsen e seus protocolos tradutórios estabelecem com a língua da tradução os mesmos mecanismos criativos que o autor estabeleceu com a língua do original. Nesse sentido, as traduções criativas de Willemsen sinalizam para uma noção de fidelidade que foge à expectativa de apagamento autoral do tradutor. Avançando na ousadia da análise, não é difícil articular a proposta tradutória de Willemsen com o conceito de transcriação – concepção de tradução criativa antropofágica elaborada por Haroldo de Campos.

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Publicado

01-09-2012