Ethos discursivo em Atos Humanos
memória, resistência e teor testemunhal na obra de Han Kang
DOI:
https://doi.org/10.17851/2237-2083.33.2.236–257Palavras-chave:
Análise discursiva, ethos discursivo, literatura de teor testemunhal, Massacre de Gwangju, Han KangResumo
Este estudo busca analisar a construção do ethos discursivo na obra Atos humanos, de Han Kang (2021). O romance retrata a repressão violenta dos protestos pela democracia na Coreia do Sul, ocorrida em maio de 1980. O objetivo principal deste texto consiste na investigação do ethos discursivo perante as posturas adotadas e sua legitimidade na preservação da memória coletiva traumática para a reescrita da história a partir de outros ângulos. Para tanto, partiu-se de uma pesquisa bibliográfica qualitativa, considerando o discurso e o ethos discursivo (Maingueneau, 2008; 2015), o teor testemunhal (Seligmann-Silva, 2003), a memória (Halbwachs, 1990; Ricoeur, 2007), o trauma (Caruth, 1996) e a resistência (Harlow, 1987). Além disso, há menções à necropolítica (Mbembe, 2018) e à condição de vida nua frente ao estado de exceção (Agamben, 2004). A narrativa de teor testemunhal atua como instrumento de resistência contra o silenciamento e apagamento impostos pela história oficial, estabelecendo um entrelace entre a ficção e a história em relação à memória do massacre de Gwangju. Assim, os enunciados revelam que o ethos discursivo em Atos Humanos promove o resgate da memória como ato de resistência e reparação histórica.
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