A epopeia negativa em Passageiro do Fim do Dia, de Rubens Figueiredo

  • Wellington Marçal de Carvalho Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Palavras-chave: Literatura e realismo, Espaço na literatura, Experiência estética

Resumo

O presente trabalho tem o propósito de apresentar uma leitura do romance do escritor brasileiro Rubens Figueiredo, intitulado Passageiro do fim do dia, paramentada em indícios fornecidos pela trama ficcional que possibilitam considerar tal construto como dinamizador de um processo transgressor de libertação de subjetividades, sobretudo porque a narrativa, de enredo aparentemente trivial, revolve e escancara a humanidade latente nos agenciamentos sociais firmados em operações de dilapidação dos “eus” que os constitui. Acolhendo a sugestão de que a arte é capaz de dizer, sem compromisso com a verdade, em razão da necessidade de mimetizar a agrura do real e oferecer, assim, outra plataforma para se pensar a relação homem/usos do espaço/tempo, parte-se aqui da provocação adorniana sobre a inenarrabilidade da vida dissonante que propicia a experiência estética e um novo posicionamento para uma mundivivência com alguma fatia de plenitude de sentido.

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Biografia do Autor

Wellington Marçal de Carvalho, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Doutorando em Letras / Literaturas de Língua Portuguesa na PUC Minas, Diretor da Biblioteca Universitária / Sistemas de Bibliotecas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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Publicado
2016-04-07
Como Citar
CARVALHO, W. M. DE. A epopeia negativa em Passageiro do Fim do Dia, de Rubens Figueiredo. Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, v. 21, n. 1 e 2, p. 246-259, 7 abr. 2016.
Seção
Artigos