Territorialidade, Luta de Classes e Relação Ser Humano-Natureza das Quebradeiras de Coco Babaçu
DOI:
https://doi.org/10.35699/cpjmp535Palabras clave:
Quebradeiras de coco babaçu, crise climática, ecossocialismoResumen
Diante da profunda e catastrófica crise climática, econômica e civilizacional que assola o planeta, com múltiplos processos de colapsos em curso e em expansão, torna-se necessário compreender as raízes estruturais econômicas que produzem tais problemas. Parte-se da hipótese de que a superação dessa crise demanda o enfrentamento da luta de classes. Considera-se que somente a partir da análise crítica da economia política é possível identificar e construir alternativas concretas de novas formas de organização da vida social e da produção, mais humanas e ecologicamente sustentáveis, em que os metabolismos social e natural se integrem em um ciclo fechado, sem fendas abertas. No contexto da realidade brasileira, impõe-se a tarefa de identificar classes, grupos e comunidades de trabalhadores e trabalhadoras, oprimidos e oprimidas, cuja produção e reprodução da vida encontram-se em confronto com o avanço do capital. Apoiar essas causas torna-se fundamental, de modo a construir alianças que visem, em última instância, a uma transformação radical da realidade por meio de uma transição ecossocialista. Por este motivo, justifica-se uma abordagem imanente e teórico-crítico da atividade produtiva, da territorialidade, da organização da luta de classes e da relação ser-humano e natureza, tal como se expressam na experiência das quebradeiras de coco babaçu. O estudo propõe refletir sobre os potenciais emancipatórios dessas experiências frente à crise estrutural do capitalismo. Conclui-se que a organização comunitária das quebradeiras configura um exemplo concreto de resistência ao avanço do capital, apontando para formas alternativas de sociabilidade e sustentabilidade que dialogam construtivamente com propostas ecossocialistas.
Referencias
AMADOR, Milton Cleber Pereira. Guerra do Contestado: marca o fim e o início de modelos de desenvolvimento na região Oeste Catarinense. Cadernos do CEOM – Ano 22, n. 31.
ALMEIDA, Alfredo W. B. 2019. Quebradeiras de coco babaçu: um século de mobilizações e lutas – Repertório de fontes documentais e arquivísticas, dispositivos legais e ações coletivas (1915-2018). Manaus: UEA Edições/PNCSA, 2019.
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996.
CARVALHO, Tarcísio Motta de. “Inimigos do progresso”: dominação de classe e resistência camponesa na Primeira República: a guerra sertaneja do Contestado. In: MOTTA, Márcia e ZARTH, Paulo (orgs). Formas de resistência camponesa: visibilidade e diversidade de conflitos ao longo da história. V. 1, São Paulo: UNESP, 2008.
CHASIN, J. Marx: estatuto ontológico e resolução metodológica. São Paulo: Boitempo, 2009.
DE OLIVEIRA BARBOSA, Viviane. "A ECONOMIA MORAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU." IX Jornada Internacional de Políticas Públicas. UFMA: Civilização ou Barbárie: O Futuro da Humanidade, 2019.
ELTVATER, Elmar. O Capitalismo Fóssil e seu Ambiente Social e Natural.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2022.
FREITAS, Rosana de Carvalho Martinelli. NUNES, Letícia Soares. NÉLSIS, Camila Magalhães. A crítica marxista ao desenvolvimento (in)sustentável. R. Katál., Florianópolis, v. 15, n. 1, p. 41-51, jan./jun. 2012.
FOSTER, John Bellamy. A ecologia da economia política marxista. Lutas Sociais, São Paulo, n.28, p.87-104, 1o sem. 2012.
IPCC. Sixth Assessment Report (AR6). Cambridge University Press, 2021-2023. Disponível em: <https://www.ipcc.ch/ar6/>. Acesso em: 07.Jul. 2025.
Lynas, M., Houlton, B. Z., & Perry, S. (2021). Greater than 99% consensus on human caused climate change in the peer-reviewed scientific literature. Environmental Research Letters, 16(11).Disponível em: <https://doi.org/10.1088/1748-9326/ac2966>. Acesso em: 07. Jul. 2025.
LUCÁKS, Geog. Para Uma Ontologia do Ser Social; Tomo II. Volume 14. Traduzido por Sergio Lessa e revisado por Mariana Andrade. Maceió: Coletivo Veredas, 2018.
GODEIRO, Nazareno (org). Revoluções e Revoltas do Povo Brasileiro. São Paulo: Sundermann, 2020.
GUSMÃO, Luiz Antônio; PORRO, Roberto. Boas Práticas de Manejo nos Babaçuais.
Brasília, DF: Central do Cerrado, 2022. Disponível em: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1155273>. Acesso em: 11. Ago. 2024.
GRANEMANN, Sara. "O processo de produção e reprodução social: trabalho e sociabilidade." Serviço Social (2009): 223-238.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Luta de classes na Rússia. São Paulo: Boitempo, 2013.
MARX, Karl. O 18 brumário de Napoleão Bonaparte. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política: livro I: o processo de produção do capital. 3 ed. São Paulo: Boitempo, 2023.
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política: livro III: o processo global da produção capitalista. São Paulo: Boitempo, 2017.
MARX, Karl; ENGELS; Friedrich. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
MARX, Karl; ENGELS; Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo: 2010.
MEDEIROS DE ALMEIDA, Rejane Cleide; DOS SANROS, Juscelino Laurindo. Região ecológica dos babaçuais: uma mirada a partir das mulheres quebradeiras de coco babaçu e seus modos de vida – Bico do Papagaio (TO). Amazônia – Revista de Antropologia, [S.1.], v. 14, n. 2, p. 408-434, nov. 20222. ISSN 2176-067. Disponível em: <https://periodicos.ufpa.br/index.php/amazonica/article/view/11312>. Acesso: 07. Jul. 2025.
MOURA, Clovis. Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo: Perspectivas, 2019
MONTENEGRO, Mayara Karla Silva; RODRIGUES, Sávio José Dias. "A ORGANIZAÇÃO DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU E SUA PRODUÇÃO DO TERRITÓRIO." Revista Campo-Território, Uberlândia, v. 15, n. 39 Dez., p. 145–161, 2020. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/campoterritorio/article/view/60277. Acessado em: 12 abr. 2024.
LÖWY, Michael. Crise ecológica, crise capitalista, crise de civilização: a alternativa ecossocialista. Cad. CRH,Salvador, v. 26, n. 67, abr.2013.
LÖWY, Michael. O que é ecossocialismo? 2aed. São Paulo: Cortez, 2014.
LUKÁCS, G. A destruição da razão. Tradução: Bernard Herman Hess. São Paulo : Instituto Lukács, 2020.
PÁDUA, José Augusto. As bases teóricas da história ambiental. Estudos Avançados, v. 24, n. 68, São Paulo, 2010.
PIRES, Thula Rafael de Oliveira. GUIMARÃES, Virginia Totti. Injustiça ambiental, racismo ambiental e a marca da estratificação sócioracial nas zonas de sacrifício: o caso do bairro de Santa Cruz na cidade do Rio de Janeiro. Trabalho desenvolvido no âmbito do Núcleo de Estudos Constitucionais e Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio.
PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. De saberes e de territórios: diversidade e emancipação a partir da experiência Latino-americana. GEOgraphia, 8 (16), 41-55." (2006)
Porto-Gonçalves, Carlos Walter, and Pedro Catanzaro da Rocha Leão. "Terra, Violência e Conflito na Formação territorial brasileira: tensões territoriais na ruptura política (2015-2019)." Revista da ANPEGE 16.29 (2020): 712-767
PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. "A geograficidade do social: uma contribuição para o debate metodológico para o estudo de conflitos e movimentos sociais na América Latina." Revista Eletrônica da Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Três Lagoas (2006): 5-26.
QUINTANA, Ana Carolina. HACON, Vanessa. O desenvolvimento do capitalismo e a crise ambiental. O Social em Questão - Ano XIV - nº 25/26 - 2011, p. 427-444.
SILVA, Maria Beatriz Oliveira. Crise ecológica e crise(s) do capitalismo: o suporte da teoria marxista para a explicação da crise ambiental. Revista Jurídica Direito & Realidade, v. 1, n.2, 2011.
SEFERIAN, Gustavo. Ecossocialismo e humanismo. Germinal, Salvador, v. 13, n.2, 2021.
SEFERIAN, Gustavo. Um direito do trabalho visto desde os campos, rios, florestas e montanhas. Captura Críptica, Florianópolis, v. 10, n.1, 2021.
SOUSA, Igor Thiago Silva de. "As rosas negras: quebradeiras de coco babaçu, raça e território no maranhão contemporâneo." (2022).
Rêgo, Josoaldo Lima; ANDRADE, Maristela de Paula. "História de mulheres: breve comentário sobre o território e a identidade das quebradeiras de coco babaçu no Maranhão." Agrária (São Paulo. Online) 3 (2005): 47-57.
WMO. State of the Global Climate 2023. World Meteorological Organization, 2024. Disponível em: <https://public.wmo.int/en/our-mandate/climate/wmo-statement-state-of-global-climate>. Acesso em: 07. Jul. 2025.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Lunare C. Amorim

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Cómo citar
Datos de los fondos
-
Universidade Federal de Minas Gerais
Números de la subvención https://doi.org/10.35699/cpjmp535

