A maioridade da Democracia

porque precisamos ativar continuamente as memórias sobre o 8 de janeiro? 

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.35699/g1r7yw90

Palabras clave:

Democracia brasileira , 8 de janeiro , memória

Resumen

Este artigo propõe uma reflexão sobre a saúde da democracia brasileira, tratando-a não como uma estrutura inanimada, mas como um organismo vivo, uma "menina-mulher" de saúde oscilante que exige cuidado e proteção contínua. Através de uma rememoração da nossa vida política, investigo como o trauma de 8 de janeiro de 2023 não foi um acidente isolado, mas o desfecho de um processo crescente de autoritarismo e silenciamentos. É realizada uma análise da escalada da violência, desde os acampamentos nos quartéis até as tentativas de atos terroristas e como a imprensa brasileira inicialmente hesitou em nomear o crime contra o Estado, tratando-o sob o rótulo ambíguo de "vandalismo". Ao confrontar a cobertura dos jornais com mais distribuição em cada região do país, observo como as palavras foram reorganizadas conforme a gravidade do atentado se impunha, revelando as disputas de narrativa e o perigo de nos adaptarmos à temperatura do autoritarismo, tal como o sapo que se ajusta à água que ferve. O trabalho discute, enfim, como o 8 de janeiro forçou uma espécie de "maioridade" à nossa Democracia, problematizando o papel da preservação dessa memória para a sociedade brasileira na contemporaneidade.

Biografía del autor/a

  • Ana Paula Brito, Universidade Federal de Pernambuco

    Este artigo propõe uma reflexão sobre a saúde da democracia brasileira, tratando-a não como uma estrutura inanimada, mas como um organismo vivo, uma "menina-mulher" de saúde oscilante que exige cuidado e proteção contínua. Através de uma rememoração da nossa vida política, investigo como o trauma de 8 de janeiro de 2023 não foi um acidente isolado, mas o desfecho de um processo crescente de autoritarismo e silenciamentos. É realizada uma análise da escalada da violência, desde os acampamentos nos quartéis até as tentativas de atos terroristas e como a imprensa brasileira inicialmente hesitou em nomear o crime contra o Estado, tratando-o sob o rótulo ambíguo de "vandalismo". Ao confrontar a cobertura dos jornais com mais distribuição em cada região do país, observo como as palavras foram reorganizadas conforme a gravidade do atentado se impunha, revelando as disputas de narrativa e o perigo de nos adaptarmos à temperatura do autoritarismo, tal como o sapo que se ajusta à água que ferve. O trabalho discute, enfim, como o 8 de janeiro forçou uma espécie de "maioridade" à nossa Democracia, problematizando o papel da preservação dessa memória para a sociedade brasileira na contemporaneidade.

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Publicado

2025-11-11

Cómo citar

A maioridade da Democracia: porque precisamos ativar continuamente as memórias sobre o 8 de janeiro? . Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 32, n. Fluxo Contínuo, p. 1–28, 2025. DOI: 10.35699/g1r7yw90. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/64301. Acesso em: 18 feb. 2026.