A sociedade do gozo disciplinado
transparência cega, supereu antropofágico e inimigo fragilizado depois de Foucault
DOI:
https://doi.org/10.53981/destrocos.v7i2.66323Palavras-chave:
Foucault, neoliberalismo, psicopolítica, subjetivação, inimigo fragilizadoResumo
Este artigo propõe o conceito de sociedade do gozo disciplinado para enfrentar uma lacuna no debate sobre poder contemporâneo: a tendência a opor, de modo excessivamente linear, sociedade disciplinar, desempenho, transparência e psicopolítica. Situado na filosofia política contemporânea, em diálogo com teoria crítica, estudos foucaultianos, criminologia crítica e literatura, o estudo sustenta que a disciplina não desaparece no neoliberalismo tardio, mas se redistribui diferencialmente. O método é ensaístico-conceitual, com orientação genealógica, operacionalizada pela reconstrução de matrizes de poder, pela identificação de deslocamentos históricos, pela explicitação das tensões entre Michel Foucault, Byung-Chul Han e Slavoj Žižek e pela elaboração de categorias interpretativas. O percurso formula três conceitos articulados: sociedade do gozo disciplinado, transparência cega e inimigo fragilizado. Conclui-se que a atualidade de Foucault, depois de Foucault, não reside em repetir sua descrição das instituições disciplinares, mas em diagnosticar formas híbridas pelas quais liberdade, visibilidade, subjetivação e punição seletiva produzem vulnerabilidades socialmente convertidas em ameaça.
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