Fé e fausto na pós-inundação

devir animal, abjeção do humano em A língua submersa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53981/destrocos.v6i1.57082

Palavras-chave:

direito e literatura, transdisciplinariedade, Manoel Herzog, Giorgio Agamben, devir animal, abjeção humana

Resumo

O presente artigo constitui-se num exercício transdisciplinar situado no campo do Direito e da Literatura, e que tem por paradigma teórico o pensamento de Giorgio Agamben, em particular os livros O aberto: O homem e o animal, a série Homo Sacer e Nudez, e como matéria crítica o livro de Manoel Herzog A língua submersa. Esta obra, situada naquilo que se tem denominado de cli-fi/Anthropocene Fiction, se propõe a enfrentar o impensado que é a terra-mundo completamente outra após a elevação dos oceanos por ação do homem. Nessa ficção, o aberto entre o homem e o animal permanece, como hoje, um aberto, no qual devir animal e abjeção do humano se manifestam como consequência das normas jurídicas a partir da díade crente-noia, e as distinções socais permitem àqueles que gozam de privilégios a busca pela satisfação de uma forme de boi, pondo de manifesto a natureza arbitrária e de excepcionalidade política que caracteriza as sociedades biopolíticas contemporâneas. Metodologicamente, adotou-se a transdisciplinariedade e a teoria agambeniana do paradigma, tendo como procedimento a pesquisa bibliográfica.

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Biografia do Autor

  • Marcus Vinicius Xavier de Oliveira, Universidade Federal de Rondônia

    Professor Associado do Departamento de Direito da Universidade Federal de Rondônia. Mestre (UFCS) e Doutor (UERJ) em Direito. Pós-doutorando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Espírito Santo Líder do Jus Gentium: Grupo de Estudos e Pesquisas em Direito Internacional UNIR/CNPq. E-mail: marcusoliveira@unir.br.

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Publicado

29-06-2025

Como Citar

OLIVEIRA, Marcus Vinicius Xavier de. Fé e fausto na pós-inundação: devir animal, abjeção do humano em A língua submersa. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 1, p. e57082, 2025. DOI: 10.53981/destrocos.v6i1.57082. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/57082. Acesso em: 27 fev. 2026.

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