As bio-lógicas do mundo-zero: ensaio teórico-político sobre a animalização de corpos negros em situação de rua
Publicado 13-10-2025
Palavras-chave
- racismo,
- animalização,
- mundo-zero,
- população em situação de rua
Copyright (c) 2025 Arthur Cândido Lima, Lisandra Espíndula Moreira, Wanderson Vilton Nunes da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Como Citar
Dados de financiamento
Resumo
Neste ensaio teórico-político problematizamos, a partir de uma cena do trabalho com a população em situação de rua, a animalização dos corpos negros. Nosso objetivo é colocar em questão os impactos de uma cisão entre humano e animal que, em tese, estabeleceria a todas as pessoas o acesso à categoria de humano. Para desvelar essa falácia, faz-se necessário analisar o racismo como maquinaria de animalização do humano, no caso de povos descritos como sem alma/logos. Uma ficção operativa responsável por constituir o processo de racialização do mundo e consequentemente o seu armamento central de aniquilamento dos corpos negros e originários. O que pode uma mulher negra que se encontra em situação de rua nos ensinar sobre a atualidade do racismo e a animalização?
Downloads
Referências
- BRASIL. Decreto nº 7.053 de 23 de dezembro de 2009. Institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, e dá outras providências. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d7053.htm. Acesso em: 03. mai. 2025.
- CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
- COURTINE, Jean-Jacques. O corpo anormal: história e antropologia culturais da deformidade. In: COURTINE, Jean-Jacques; CORBIN, Alain; VIGARELLO, Georges (orgs.). História do corpo: as mutações do olhar. O século XX. 4. ed. Trad. Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 2011.
- FANON, Frantz. Em defesa da revolução africana. 1. ed. Trad. de Isabel Pascoal. Lisboa: Sá e Costa, 1980.
- FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. 1. ed. Trad. Sebastião Nascimento, com colaboração de Raquel Camargo. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
- FAUSTINO, Deivison. A “interdição do reconhecimento” em Frantz Fanon: a negação colonial, a dialética hegeliana e a apropriação calibanizada dos cânones ocidentais. Revista de Filosofia Aurora, [S. l.], v. 33, n. 59, 2021. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/aurora/article/view/28065. Acesso em: 1. jun. 2025.
- FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1: A vontade de saber. 13. ed. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1999.
- GROSFOGUEL, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Sociedade E Estado, 31(1), pp. 25–49. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-69922016000100003. Acesso em 25. abr. 2025.
- HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de uma República Eclesiástica e Civil. 1. Ed. Trad. João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
- KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Trad. Jess Oliveira. E-book 1. ed. Botafogo: Cobogó. 2019.
- LIMA, Arthur. Os condenados da rua: análises episódicas das cenas do vilipêndio. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2025.
- LOBO, Lilia F. Os infames da história: pobres, escravos e deficientes no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2015.
- MACIEL, Maria Esther. Animalidades: Zooliteratura e os limites do humano. 1. ed. São Paulo: Instante, 2023.
- MBEMBE, Achille. Achille Mbembe: “A era do humanismo está terminando”. Instituto Humanitas Unisinos, 2017. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/186-noticias-2017/564255-achille-mbembe-a-era-do-humanismo-esta-terminando. Acesso em: 1 mai. 2025.
- MBEMBE, Achille. Políticas da Inimizade. 1. ed. Trad. Sebastião Nascimento. São Paulo: N-1 Edições, 2020.
- NÚÑEZ, Geni. Nhande ayvu é da cor da terra: perspectivas indígenas guarani sobre etnogenocídio, raça, etnia e branquitude. Tese de doutorado. Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2022.
- OYÈWÙMÍ, Oyèrónké. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. 1. ed. Trad. wanderson flor do nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
- PARÉ, Ambroise. Des monstres et prodiges. Genève: Libraire Droz, 1971.
- SILVA, Wanderson Vilton Nunes; HÜNING, Simone Maria; GUARESCHI, Neuza. Dissidências narrativas: políticas dos corpos e narratividades na pesquisa. Estudos de Psicologia (Natal), [S. l.], v. 28, n. 1, pp. 105–115, 2024. Disponível em: https://submission-pepsic.scielo.br/index.php/epsic/article/view/22354. Acesso em: 1. jun. 2025.
- SODRÉ, Muniz. O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional. 1. ed. Petropólis: Editora Vozes, 2023.
- SOUZA, Laura de M. e. O diabo e a terra de Santa Cruz. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
- SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em acensão social. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.