A ARQUITETURA BARROCA E O TEATRO DO MUNDO

Autores

Palavras-chave:

Barroco, Traçado Urbano, Teatralização, Fantasia

Resumo

Resumo:  O artigo busca analisar o universo mundializado da arquitetura barroca como um teatro do mundo. Para isso, o estudo aborda os versos de El gran teatro del mundo escrito por Pedro Calderón de La Barca na primeira metade do século XVII. Os versos eloquentes retratam a exposição aguda de duas arquiteturas: uma superior, perfeita, elevada e eterna, a dos Céus, criada por Deus, e a outra, inferior, imperfeita, mundana e passageira, composta pertencente aos homens. Assim a pesquisa retrata a visão do poeta espanhol e também a antiga doutrina da mímesis. A arquitetura dos homens deveria imitar a arquitetura divina “usurpando-lhe os reflexos”, dando corpo a uma formosura que, por mais que se ilumine de esplendores celestes nunca seria mais que um belo jardim de “perecíveis flores”. 

Palavras-Chaves: Barroco; Teatralização; Fantasia; Poesia; Traçado Urbano, Arquitetura.

Abstract: The article seeks to analyze the globalized universe of baroque architecture as a theater of the world. For this, the study approaches the verses of El gran Teatro del Mundo written by Pedro Calderón de La Barca in the first half of the 17th century. The eloquent verses portray the acute exposition of two architectures: one superior, perfect, elevated and eternal, that of Heaven, created by God, and the other, inferior, imperfect, mundane and fleeting, composed belonging to men. Thus, the research portrays the vision of the Spanish poet and also the ancient doctrine of mimesis. The architecture of men should imitate the divine architecture “usurping its reflections”, giving body to a beauty that, however illuminated by celestial splendours, would never be more than a beautiful garden of “perishable flowers”.

Keywords: Baroque; theatricalization; Fantasy; Poetry; Urban Layout; Baroque colonial architecture.

 

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Biografia do Autor

Rodrigo Almeida Bastos, Universidade Federal de Santa Catarina UFSC

Arquiteto Urbanista, Engenheiro civil, Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG e Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela USP, com Doutorado Sanduiche no Departamento de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e estágio de pós-doutorado Capes/McGill University, Montréal, Canadá. Entre 2009 e 2011, foi professor adjunto do Departamento de Análise crítica e histórica da Arquitetura e do Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG. Entre 2006 e 2012, integrou o corpo de professores do Curso de Especialização lato sensu em Cultura e Arte Barroca, do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da UFOP. Atualmente, é professor associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC. Em 2007, recebeu o Prêmio pelo melhor Ensaio crítico de Arquitetura e Urbanismo, 8º Prêmio Jovens Arquitetos, com o texto Regularidade e Ordem das Povoações Mineiras no século XVIII. Em 2010, o Prêmio Marta Rossetti Batista, de História da Arte e da Arquitetura, pela tese - A maravilhosa fábrica de virtudes: o decoro na arquitetura religiosa de Vila Rica, Minas Gerais (1711-1822) - , publicada pela Edusp em 2013 e finalista do Prêmio Jabuti em 2014. É autor também de - A arte do urbanismo conveniente -, e seus interesses acadêmicos se concentram na área da Estética, Teoria, Crítica e História da Arte, da Arquitetura e do Urbanismo. Foi cantor do Coro Madrigale, de Belo Horizonte, entre 2004 e 2010. Desde outubro de 2021, é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Retórica (SBR).

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Publicado

2022-06-18

Como Citar

Almeida Bastos, R. (2022). A ARQUITETURA BARROCA E O TEATRO DO MUNDO. Perspectiva Pictorum, 1(1), 75–88. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistaperspectivapictorum/article/view/37980