TRABALHO E EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DOS ORGANISMOS MULTILATERAIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2021.25875

Palavras-chave:

Organismos multilaterais, Trabalho e educação, Capital Humano

Resumo

Evidencia os interesses dos organismos multilaterais na interface trabalho e educação por trás da retórica de combate e eliminação da pobreza. A metodologia utilizada foi um levantamento documental das produções e relatórios dos organismos multilaterais compreendidos enquanto desdobramento da Conferência Mundial sobre Educação Para Todos (1990), assim como, a revisão bibliográfica de autores que debatem a temática. Verifica-se nos documentos a análise da relação entre trabalho e educação sob a égide do combate e eliminação da pobreza e, a educação assume, assim, um caráter salvacionista. A orientação das reformas educacionais  se dá em face da dinâmica do capital prover as necessidades básicas de aprendizagem, competências, habilidades e qualificações necessárias para o desenvolvimento econômico e social, na busca de uma suposta equidade social. Ancorada no binômio pobreza-segurança, a veemência da política-ideológica e de seu direcionamento de reformas estruturais nas políticas educacionais está na pretensão de combater a pobreza  por propiciar clima desfavorável aos negócios. Nessa perspectiva, a educação colabora na sustentação do controle político da burguesia mundial sobre os processos educativos direcionados para reestruturação produtiva na divisão internacional do trabalho. O trabalho permite concluir que a interface “educação e trabalho” nesta perspectiva, assume um caráter pragmático e unidimensional para formação de recursos humanos – o chamado Capital Humano.

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Biografia do Autor

Valter de Jesus Leite, Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Doutorando em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UEM), Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Trabalho, Educação e Movimentos Sociais pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV-FIOCRUZ/PRONERA). Licenciado em Pedagogia pela Unioeste. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, Brasil. Atua na Coordenação Política Pedagógica das Escolas Itinerantes do MST Paraná.

Liliam Faria Porto Borges, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

Graduada em História pela Universidade Estadual de Campinas (1990), mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2000) e doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (2006). É professora Associada A da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Tem experiência na área de Educação, com destaque em Política Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: Política Educacional; Políticas Sociais; Educação do Campo; Trabalho, Estado e Educação. Atua nos cursos de pedagogia e nas licenciaturas. Atualmente realiza estágio pós doutoral na UNICAMP vinculada ao grupo de pesquisas HISTEDBR.

Rosângela Célia Faustino, Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Doutora em Educação. Professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá-PR.

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Publicado

2021-05-19

Como Citar

LEITE, V. de J.; BORGES, L. F. P.; FAUSTINO, R. C. TRABALHO E EDUCAÇÃO NA PERSPECTIVA DOS ORGANISMOS MULTILATERAIS. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 30, n. 1, p. 161–175, 2021. DOI: 10.35699/2238-037X.2021.25875. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/25875. Acesso em: 28 set. 2021.

Edição

Seção

ARTIGOS