“This is not a pipe”. sobre a impossibilidade da reconstrução e da representação 1:1 em arqueologia (digital ou não)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31239/x8f19e64

Palavras-chave:

Arqueologia Digital, Reconstrução arqueológica, Simulação, Usos do passado, Inteligência Artificial (IA)

Resumo

Este artigo problematiza a ideia de reconstrução e representação 1:1 na arqueologia, partindo da metáfora de Borges (1946) sobre a construção de um mapa do Império nessa escala. A partir disso, analisa-se o uso do termo “reconstrução” na Arqueologia Digital, avaliando suas críticas e alternativas, argumentando que toda visualização arqueológica, pretensamente do passado, constitui uma construção interpretativa situada e provisória. O estudo articula debates teóricos com contribuições da Arqueometria e das Humanidades Digitais, assim como reflexões acerca da circulação contemporânea de “imagens do passado”, inserindo aquelas produzidas por Inteligência Artificial, mobilizadas em usos políticos que as tornam mercadoria. Como estudos de caso, analisam-se a reinterpretação funcional de artefatos cerâmicos cilíndricos da Península Ibérica – redefinidos a partir de técnicas da química analítica – e a simulação 3D de uma flecha pré-colonial do Sul do Brasil baseada na preservação de sua ponta de projétil, evidenciando os limites impostos pela natureza perecível de determinadas materialidades. Sustenta-se, contudo, que no âmbito da arqueologia, reconhecer essa impossibilidade de reconstrução integral não deve conduzir ao relativismo, uma vez que ela, por meio de seus métodos e teorias, permanece fundamental na aproximação e na recuperação crítica das realidades pretéritas e contemporâneas.

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Publicado

2026-07-29

Como Citar

“This is not a pipe”. sobre a impossibilidade da reconstrução e da representação 1:1 em arqueologia (digital ou não). (2026). Vestígios - Revista Latino-Americana De Arqueologia Histórica, 20(2), 53-76. https://doi.org/10.31239/x8f19e64