Política de uso de IA
A Vestígios. Revista de Arqueologia Histórica Latino-americana adere às boas práticas internacionais de ética na publicação científica e compromete-se com os princípios de transparência, integridade e responsabilidade no processo editorial. Reconhecendo o rápido avanço das tecnologias de Inteligência Artificial generativa (GenAI) e seu impacto crescente na produção acadêmica, a revista adota a presente política com o objetivo de orientar autores, revisores e editores quanto ao uso responsável dessas ferramentas em todas as etapas de elaboração, avaliação e publicação de manuscritos.
Para os fins desta política, distingue-se o uso de ferramentas de Inteligência Artificial generativa de ferramentas automatizadas convencionais de apoio editorial, como corretores ortográficos e gramaticais, softwares de tradução assistida, gerenciamento bibliográfico, detecção de similaridade, análise estatística ou editoração textual. Segundo Copeland (2023), a Inteligência Artificial caracteriza-se pela “capacidade de um computador digital ou robô controlado por computador de realizar tarefas comumente associadas a seres inteligentes. O termo é frequentemente aplicado ao projeto e desenvolvimento de sistemas dotados dos processos intelectuais característicos dos humanos, como a capacidade de raciocinar, descobrir significado, generalizar ou aprender com experiências passadas”.
Nesse sentido, o uso de sistemas de IA generativa ou assistida por IA que participem diretamente da produção intelectual de textos, imagens, interpretações, sínteses ou análises deve ser explicitamente informado pelos autores. Já o uso de ferramentas automatizadas convencionais, limitadas ao suporte técnico e operacional do processo editorial, não necessita de declaração formal.
- Uso por autores
1.1. O uso de ferramentas de Inteligência Artificial generativa ou assistida por IA (tais como ChatGPT, Gemini, Copilot, Claude, entre outras) deve ser explicitamente declarado no manuscrito submetido à revista, preferencialmente acima da seção de referências bibliográficas e estar inserido nos métodos da pesquisa, se relevante, com o título “Declaração de IA Generativa e assistidas por IA no processo de escrita da pesquisa” A declaração deve indicar de forma clara quais tarefas foram auxiliadas, por exemplo: revisão linguística, tradução, apoio à organização bibliográfica, apoio na redação de trechos introdutórios, entre outras.
1.2. Ferramentas de IA não devem ser creditadas como autoras nem podem ser consideradas responsáveis por ideias, interpretações ou conclusões apresentadas no artigo.
1.3. Os autores permanecem plenamente responsáveis pela precisão, originalidade e integridade do conteúdo submetido, incluindo qualquer material textual, visual ou analítico gerado com auxílio de IA.
1.4. O uso de IA para geração de dados falsos, manipulação de imagens, distorção de resultados ou criação de conteúdo enganoso constitui má conduta editorial e resultará na rejeição imediata do manuscrito ou na retração da publicação, conforme o caso.
1.5. Imagens, figuras e ilustrações geradas ou alteradas por ferramentas de IA (por exemplo: reconstruções arqueológicas, mapas, gráficos, representações tridimensionais ou fotografias) devem ser claramente identificadas como tais e acompanhadas de uma explicação sobre o método e o propósito de seu uso, bem como, está explícito nos métodos da pesquisa. O emprego de IA para criar imagens que representem achados arqueológicos, sítios, objetos ou contextos históricos não deve induzir o leitor a erro nem substituir documentação empírica real. Sempre que possível, recomenda-se a sobreposição ou comparação com dados verificáveis e a preservação da rastreabilidade das fontes originais.
1.6. Os autores devem verificar cuidadosamente a exatidão factual, referências bibliográficas, citações e interpretações produzidas com auxílio de IA considerando a possibilidade de geração de informações incorretas ou inexistentes.
- Uso por revisores e editores
2.1. Revisores e editores não devem utilizar ferramentas de IA generativa para analisar ou comentar manuscritos completos ou partes substanciais deles, de modo a preservar a confidencialidade e a integridade do processo de avaliação por pares.
2.2. Excepcionalmente, revisores e editores podem utilizar de ferramentas de IA adequadas para detectar conteúdo gerado ou alterado por IA de manuscritos completos ou partes substanciais dele.
2.3. Excetuam-se dessa restrição ferramentas automatizadas cujo uso seja limitado a softwares ou recursos que não armazenem, reutilizem ou compartilhem os dados submetidos, como corretores ortográficos locais, ferramentas institucionais protegidas ou sistemas que garantam a confidencialidade do conteúdo analisado.
- Atualização e referências
Como medida complementar de proteção de dados e confidencialidade, revisores, editores e autores devem evitar inserir em plataformas públicas de Inteligência Artificial generativa manuscritos inéditos, dados sensíveis, imagens não publicadas, informações sigilosas de pesquisa ou conteúdos relacionados a patrimônio arqueológico vulnerável ou protegido, especialmente quando houver risco de armazenamento, reutilização ou compartilhamento desses dados pelas plataformas utilizadas. O uso de ferramentas de IA deve observar princípios de confidencialidade, proteção de dados e preservação ética do patrimônio cultural, respeitando normas institucionais, legais e editoriais aplicáveis.
Esta política segue as recomendações internacionais do STM Association (Recommendations for a Classification of AI Use in Academic Manuscript Preparation), da Elsevier (The Use of Generative AI and AI-assisted Technologies in the Review Process) e da World Association of Medical Editors (WAME) (Chatbots, Generative AI, and Scholarly Manuscripts) e outras.
A Vestígios. Revista de Arqueologia Histórica Latino-americana compromete-se a revisar e atualizar periodicamente esta política, acompanhando a evolução das práticas éticas e tecnológicas no campo editorial, de modo a assegurar a integridade e a credibilidade da produção científica publicada.
COPELAND, B. Jack. Artificial intelligence. In: Encyclopaedia Britannica. Encyclopaedia Britannica, 2023. Disponível em: https://www.britannica.com/technology/artificial-intelligence. Acesso em: 6 maio 2026.