Literatura e resistência em Avalovara, de Osman Lins

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Osman Lins, Avalovara, violência, resistência

Resumo

O texto discute a configuração da personagem reconhecida apenas pelo símbolo ఠ, do romance Avalovara, de Osman Lins. Propõe que a personagem pode ser lida como uma confluência de diferentes sentidos abertos para o infinito e, também, como uma alegoria da própria literatura de resistência – no caso em pauta, resistência contra a ditadura militar brasileira. As reflexões sobre violência e autoritarismo de Hannah Arendt são trazidas à tona no decorrer da investigação, bem como os apontamentos de Antoine Compagnon sobre o potencial que a literatura tem de se voltar contra a opressão. Em seu percurso argumentativo, o texto ainda se ampara em proposições de, entre outros, Maria Aracy Bonfim e Elizabeth Hazin, no que cabe ao feitio da personagem em pauta; além de Jaime Ginzburg, acerca das marcas que a violência deixa na tessitura literária.

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Biografia do Autor

Raul Gomes da Silva, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Pioneiros, Mato Grosso do Sul

Doutorando em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Ramiro Giroldo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Pioneiros, Mato Grosso do Sul

Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

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Publicado
2020-05-15
Como Citar
Gomes da Silva, R., & Giroldo, R. (2020). Literatura e resistência em Avalovara, de Osman Lins. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 30(2), 17-38. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/21944
Seção
Dossiê – Memória e testemunho em tempos sombrios