CHAMADA ALETRIA - v. 37, n. 1 (jan. - mar. 2027) Dossiê: Relações músico-literárias no repertório brasileiro
CHAMADA ALETRIA - v. 37, n. 1 (jan. - mar. 2027)
Organizadores:
Andressa Nathanaildes (UFES)
Cecília Nazaré de Lima (UFMG)
Solange Ribeiro de Oliveira (UFMG)
Thaïs Flores Nogueira Diniz (UFMG)
Prazo para submissão: 24 de junho de 2026
RELAÇÕES MÚSICO-LITERÁRIAS NO REPERTÓRIO BRASILEIRO
Os trânsitos e as conexões entre Música e Literatura, entendidas como domínios conceituais distintos, se entrecruzam frequentemente, tornando a comparação entre textos literários e composições musicais um tema de investigação instigante e promissor. Entre as razões para as aproximações estabelecidas entre música e literatura destaca-se o fato de ambas se desenvolverem no tempo e terem o som como sua base material. A riqueza de seus campos permite inúmeras formas de interação, tanto na criação artística quanto na apreensão de seus significados, que, consequentemente, decorrem em diferentes tipos de abordagens e metodologias de análises. Ainda assim, as três formas de interdisciplinaridade dessas áreas de conhecimento, conforme apresentadas pelo educador Steven Paul Scher (1936–2004), nos parecem uma base consistente que nos permite delimitar e agrupar mais satisfatoriamente as pesquisas nesta área. No primeiro caso, literatura e música, música e literatura fundem seus textos musicais e poéticos para criar o novo produto (Ex.: canção); no segundo caso, literatura na música, a mídia predominante é a música que, com seus códigos, poderá sugerir, evocar, imitar, reproduzir características formais, estruturais, entre outras, da literatura (Ex.: poema sinfônico); no terceiro caso, a literatura é a mídia dominante, que exclusivamente com seus códigos terá esta função de evocar, sugerir, reproduzir características da arte musical (Ex.: Jazz poetry).
Essas e outras conexões e processos interpretativas musicais acarretados por obras caracterizadas como ecfrases (Siglind Bruhn), transcriações (Haroldo de Campos) e intercâmbios nos levam a trocas simbólicas e possibilidades de performance.
O diferencial que pretendemos dar a esta chamada é o repertório, focado em produtos nacionais, produzidos por artistas brasileiros, sem, no entanto, delimitação de temáticas, gêneros, estilos ou épocas representadas pelos autores ou obras pesquisadas. No universo da canção, por exemplo, esperamos receber reflexões oriundas do campo da música popular, da canção de câmara, e também da fusão dos dois. Na literatura, pretendemos aglutinar as pesquisas que colocam em evidência, não apenas os autores brasileiros já consagrados que se utilizaram da música em suas formas expressivas, seja na prosa ou na poesia, tais como Machado de Assis, Manuel Bandeira, Mário Quintana, mas também novos nomes e as maneiras particulares de eles se utilizaram da música em seus escritos. Sobre a expressão da literatura na música, pretendemos dar destaque às análises e reflexões a respeito de peças instrumentais brasileiras que se inspiraram em textos literários, com foco nas maneiras encontradas pelos compositores de fazer referência a esses textos literários por meio dos próprios códigos musicais.
Dessa forma, ao propor para este volume a congregação de estudos que discutem produtos, processos, metodologias e conceitos no campo da interdisciplinaridade entre a literatura e a música a partir de produtos literários e musicais produzidos exclusivamente por artistas brasileiros, daremos um importante passo na organização de um vasto repertório nacional que servirá se subsídio para futuras pesquisas nesta área.
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