Paratextos e edição

capas de Santa Rosa, leitor perspicaz do texto literário

Autores

  • Maria do Rosário Alves Pereira Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), Belo Horizonte, Minas Gerais / Brasil / Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Viçosa, Minas Gerais / Brasil

Palavras-chave:

paratextos, capas, Tomás Santa Rosa, história editorial brasileira

Resumo

O objetivo deste artigo é mostrar como as capas do artista brasileiro Tomás Santa Rosa são paratextos fundamentais à leitura de obras literárias, uma vez que acrescentam novos efeitos e têm um caráter funcional, não meramente decorativo, complementando o sentido do texto. A partir dos conceitos de Gérard Genette na obra Paratextos editoriais (2009), investiga-se como as capas direcionam a leitura, o que o estudioso francês denomina de a “capacidade coercitiva do paratexto”. Detentor de um traço único e incomparável, Santa Rosa revolucionou o trabalho editorial da época, sobretudo entre os anos de 1930 e 1940, ao conferir vivacidade a capas, até então, tipográficas. Tal expressividade se deve à sensibilidade com que o artista realizava seu trabalho, ressaltando, nas ilustrações, certos lances da narrativa que demonstram uma leitura cuidadosa do material literário. Destaque-se, neste artigo, algumas capas produzidas para obras de José Lins do Rego e Graciliano Ramos, coligidas por Luís Bueno em Capas de Santa Rosa (2015).

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Publicado

2021-03-31

Como Citar

Pereira, M. do R. A. (2021). Paratextos e edição: capas de Santa Rosa, leitor perspicaz do texto literário. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 31(1), 145–168. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/25028

Edição

Seção

Dossiê: Estudos Editoriais