CAVARERO, Adriana. Olha-me e narra-me. Filosofia da narração. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2025. 224p.
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.58407Resumo
A obra de Adriana Cavarero, Olha-me e narra-me. Filosofia da narração (2025), investiga a intrínseca ligação entre narrar histórias, construir identidades e a importância do outro. Ela define a narração como uma “arte sutil”, alinhando-se a Arendt ao afirmar que narrar é “revelar o significado sem julgar o erro de defini-lo” (Cavarero, 2025, p. 11). Essa característica distingue a narrativa das abordagens filosóficas que buscam definições universais. A autora argumenta que o narrador oferece ao protagonista a capacidade da narrativa de revelar a individualidade. A vida tem seu início com o nascimento. O “quem” de cada indivíduo transcende as definições filosóficas tradicionais do ser humano e a narrativa revela “quem” é através de eventos e vivências que formam sua história. Cavarero enfatiza que compreender o “quem” de cada pessoa implica valorizar aquele que narra nossa história. Esse princípio ressalta a importância das relações pessoais na filosofia da identidade da filósofa. Cavarero distingue o saber filosófico, que busca a universalidade, do saber biográfico, que aprecia a singularidade: quem está “cego do presente” e sem narrativa pessoal torna-se incompleto, reduzido a fragmentos. O nome próprio é considerado uma “síntese verbal singular” que gera questionamentos: o nome do bebê é um presente, e o nascimento, um acontecimento passivo; o nome próprio é um “selo sonoro da identidade do herói”. Desde o início, cada pessoa mostra sua identidade particular aos demais. A identidade, portanto, depende fundamentalmente do olhar do outro.
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Referências
ASSIS LIMA, Marcus Antonio. O “eu narrável” e o “eu narrado” em Adriana Cavarero: as narrativas de vida de/sobre Herbert Daniel. Fólio - revista de letras, [s.l.], v. 15, n. 2, p. 12-23, dez. 2024. DOI: 10.22481/folio.v15i2.15505. Acesso em: 24 out. 2025.
CAVARERO, Adriana. Olha-me e narra-me: filosofia da narração. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2025.
LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Belo Horizonte: UFMG, 2008.
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