Escrever com detritos
Finnegans Wake e os aspectos das transformações perceptivas e sociais do século XX
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.59301Palavras-chave:
Finnegans Wake, estrutura de sentimento, simultaneidade, transformações perceptivasResumo
Este artigo propõe uma análise de fragmentos de Finnegans Wake, tendo em vista a tradução brasileira realizada por Augusto e Haroldo de Campos, além de tomar o texto original como referência para a observação de certos termos cuja estrutura sonora e semântica se revela particularmente significativa. O estudo investiga como a subversão formal e temática empreendida por James Joyce representa e tensiona elementos do contexto sociocultural das primeiras décadas do século XX. Busca-se examinar de que modo as transformações perceptivas de uma época informam a tessitura visual, sonora e verbal da escrita joyciana. A análise fundamenta-se no conceito de “estrutura de sentimento”, de Raymond Williams, entendido como uma categoria crítica capaz de captar as mediações simbólicas emergentes na experiência histórica. Argumenta-se que recursos como a simultaneidade, a palavras-valise, o tempo cíclico e a imbricação entre visualidade e sonoridade operam como sintomas de uma reconfiguração profunda das formas de percepção – atravessados pelas transformações tecnológicas e pelos traumas dos conflitos bélicos, – inscrevendo-se, portanto, como gesto estético e político de expressão e resistência às formas hegemônicas de narrar a história.
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