É através da pele que faremos a metafísica entrar nos espíritos
glossolalia e espiritualidade em Antonin Artaud
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63581Palavras-chave:
Antonin Artaud, glossolalia, crueldade, espiritualidade, corpo sem órgãosResumo
Este artigo investiga a relação entre glossolalia, espiritualidade e crueldade na obra de Antonin Artaud, compreendendo tais elementos como operadores centrais de uma crítica radical à linguagem representacional e ao logocentrismo ocidental. A partir de leituras de Georges Bataille, Michel Foucault, Jacques Derrida e Gilles Deleuze, analisa-se a glossolalia não como desvio patológico ou recurso estético experimental, mas como prática espiritual que implica a dissolução da inteligibilidade discursiva e do organismo da linguagem. O percurso analítico atravessa textos teóricos, cartas e obras tardias de Artaud, com especial atenção à Viagem ao país dos Tarahumaras, aos escritos de Rodez e ao programa radiofônico Para acabar com o julgamento de Deus. Argumenta-se que a glossolalia opera como uma violência necessária contra o sentido, instaurando uma experiência de limite na qual corpo e espírito se confundem, permitindo pensar uma espiritualidade imanente, corporal e não transcendente.
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