Cidade dividida
A relação entre a formação do território de Belo Horizonte e a descaracterização da cidade de Santa Luzia-MG
DOI:
https://doi.org/10.29327/248949.25.25-8Palavras-chave:
Urbanização, Segregação Socioespacial, Cidades dormitório, Apagamento Histórico-Cultural, Periferização, RMBH, Santa LuziaResumo
Resumo: A presente revisão teórica analisa o processo de formação e expansão da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), destacando como a segregação socioespacial se constituiu como elemento estruturante da produção do espaço urbano desde a gênese da capital mineira. A fundação de Belo Horizonte, concebida sob ideais republicanos e modernistas, baseou-se em um projeto excludente que privilegiou as elites políticas e econômicas, deslocando a população de baixa renda para áreas periféricas. Essa lógica segregadora foi reproduzida e intensificada ao longo do século XX, especialmente com a industrialização e a institucionalização da RMBH nas décadas de 1940 a 1970, quando políticas habitacionais como as do Banco Nacional da Habitação (BNH) consolidaram a expulsão das classes populares para as franjas urbanas. No contexto contemporâneo, a expansão para o eixo norte da capital e a implantação de grandes projetos urbanos — como a Linha Verde e a Cidade Administrativa — reafirmaram essa dinâmica, impulsionando a valorização imobiliária e a fragmentação do território. O caso de Santa Luzia exemplifica esse processo: o distrito de São Benedito, formado majoritariamente por migrantes, tornou-se um espaço marcado pela ausência de identidade local e pela dependência socioeconômica em relação a Belo Horizonte. A cidade, de origem histórica e imperial, sofre um apagamento cultural à medida que é incorporada à lógica metropolitana capitalista. Assim, a pesquisa evidencia que Belo Horizonte, ao reproduzir seu modelo de segregação, estende sua influência e domínio sobre as cidades do entorno, transformando-as em extensões periféricas de seu próprio território urbano.

