Imitação e emulação nas letras coloniais brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.17851/2359-0076.45.74.82–98Palavras-chave:
mímesis, emulação, retórica, António Dinis da Cruz e Silva, Basílio da GamaResumo
O presente artigo começa por retomar, de forma amplificada, reflexões expostas em Saltarelli (2012), a fim de investigar como a mímesis se constitui em categoria fundamental que rege a produção letrada colonial brasileira. Nessa reflexão, parte-se da consideração de que há uma tensão entre seu entendimento, por um lado, como imitação da natureza ou de ações humanas e, por outro, como emulação de autores canônicos e tópicas do costume retórico-poético. A partir de então, propõe-se que o cruzamento entre essas duas compreensões gera uma perturbação dos tópoi clássicos, sem que, por isso, nossas letras coloniais devam ser pensadas pela categoria romântica de “originalidade” e desvinculadas da matriz consuetudinária europeia. Por fim, passa-se ao exame de casos concretos, com foco na análise de obras de António Dinis da Cruz e Silva e Basílio da Gama.
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