Ficções e fricções
o eu espelhado e despedaçado de Molloy, de Samuel Beckett
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.171-192Palavras-chave:
Ficção, Autorreflexão, NarrativaResumo
Molloy (2014) é um romance da trilogia do pós-guerra de Samuel Beckett, que traz consigo a narrativa de dois sujeitos em declínio: o primeiro que já o encontramos dessa maneira, e outro acompanhamos o seu percurso de definhamento. Ambos os narradorespersonagens, Molloy e Moran, obstinam, através da criação narrativa das suas histórias, a reconstituição de si mesmos, mas enfrentando os obstáculos que advêm desse exercício. O que se observa, nesse impasse, é a ficção, que desnuda o corte entre a elaboração narrativa consciente e a experiência reflexiva do sujeito que busca a si mesmo, mas que continua a escapar. Dessa forma, esse artigo procura destrinchar como a ficção estrutura, em meio às lacunas da escrita dos personagens, um jogo particular de espelhamento. Observa-se, sobretudo, como a fricção do sujeito e narrativa é um dispositivo ficcional para distorcer e refratar a coincidência entre o eu e a escrita.
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