Ficções e fricções

o eu espelhado e despedaçado de Molloy, de Samuel Beckett

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.171-192

Palavras-chave:

Ficção, Autorreflexão, Narrativa

Resumo

Molloy (2014) é um romance da trilogia do pós-guerra de Samuel Beckett, que traz consigo a narrativa de dois sujeitos em declínio: o primeiro que já o encontramos dessa maneira, e outro acompanhamos o seu percurso de definhamento. Ambos os narradorespersonagens, Molloy e Moran, obstinam, através da criação narrativa das suas histórias, a reconstituição de si mesmos, mas enfrentando os obstáculos que advêm desse exercício. O que se observa, nesse impasse, é a ficção, que desnuda o corte entre a elaboração narrativa consciente e a experiência reflexiva do sujeito que busca a si mesmo, mas que continua a escapar. Dessa forma, esse artigo procura destrinchar como a ficção estrutura, em meio às lacunas da escrita dos personagens, um jogo particular de espelhamento. Observa-se, sobretudo, como a fricção do sujeito e narrativa é um dispositivo ficcional para distorcer e refratar a coincidência entre o eu e a escrita.

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Estudos Literários

Como Citar

ALVES, Maria Eduarda Paixão. Ficções e fricções: o eu espelhado e despedaçado de Molloy, de Samuel Beckett. Em Tese, Belo Horizonte, v. 32, n. 1, p. 171–192, 2026. DOI: 10.17851/1982-0739.32.1.171-192. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/emt/article/view/63335. Acesso em: 29 set. 2026.