Ausências que ainda falam
narrar para que não morram novamente
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.%25pPalavras-chave:
Garotas Mortas, Selva Almada, feminicídio, resistência, memóriaResumo
Este artigo analisa a obra Garotas mortas (2021), da escritora argentina Selva Almada, investigando como a narrativa literária pode operar como instrumento ético-político de resistência ao apagamento das vítimas de feminicídio. A partir dos casos de Andrea Danne, María Luisa Quevedo e Sarita Mundín, demonstra-se que narrar essas ausências é um gesto de justiça simbólica com as vítimas, familiares e outras tantas mulheres que sofrem violência. Articulando a análise literária com estudos feministas decoloniais, o texto revela como a literatura se torna território de memória e resistência contra as estruturas patriarcais que naturalizam a violência de gênero. Conclui-se que, ao devolver voz às vítimas silenciadas, Almada transforma o luto em linguagem e o trauma em presença, afirmando que, enquanto houver quem conte, essas mulheres continuam existindo e suas mortes não serão normalizadas.
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Referências
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