Notas sobre autoria, morte e recepção em A chave de casa, de Tatiana Salem Levy
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.97-112Palavras-chave:
Autoficção, autoria, morte do autor, estética da recepção, narrativa contemporânea brasileiraResumo
O romance A chave de casa (2025), de Tatiana Salem Levy, insere-se no campo da autoficção contemporânea ao problematizar a noção de autoria por meio da construção de uma iminência narrativa simultaneamente presente e instável. Partindo da mobilização de elementos biográficos reconhecíveis, a obra desfaz a estabilidade da identidade autoral e desloca para o leitor a tarefa de reconstruir sentidos e negociar os limites entre experiência e ficção. Este artigo tem como objetivo analisar de que modo a narrativa encena o paradoxo teórico da morte do autor e seu retorno sob a forma de uma figura textual dependente da interpretação do leitor. Metodologicamente, realiza-se uma revisão da literatura acerca da ideia de autoficção antes de efetivamente adentrar a análise interpretativa do romance. Argumenta-se que a autoficção, longe de restaurar a autoridade autoral, transforma o leitor em elemento produtor de sentido, evidenciando a leitura como espaço privilegiado de constituição da autoria e da significação literária.
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