Quem é realocado?
Perfis sociodemográficos e políticas de realocação planejada em áreas de risco de Belo Horizonte
DOI :
https://doi.org/10.35699/2237-549X.2026.59480Mots-clés :
Realocação Planejada, Desastres, Mudanças Climáticas, Belo HorizonteRésumé
A urbanização brasileira expôs parte da população à moradia em áreas de risco socioambiental. Nesse contexto, políticas públicas de realocação planejada surgem como instrumentos de enfrentamento aos riscos de desastres, embora nem sempre considerem a complexidade sociodemográfica das populações afetadas. Em Belo Horizonte, a política de realocação municipal visa reduzir riscos de deslizamentos, acidentes e mortes entre famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental. O objetivo deste artigo é identificar os perfis selecionados para realocação planejada por meio da política municipal no contexto de risco ambiental do município, no que diz respeito às diferenças entre os domicílios que foram realocados e os que permaneceram em áreas expostas a riscos. Para tanto, serão investigadas as diferenças nas características sociodemográficas entre domicílios realocados e não realocados em áreas de risco, a partir de dados fornecidos pela Prefeitura do município referentes ao período de 2010 a 2019.A metodologia baseou-se em técnicas de análise de cluster para identificar perfis domiciliares. Os resultados indicam que a presença de filhos é recorrente entre os realocados, sugerindo maior aversão ao risco em domicílios com crianças. Observou-se a concentração de realocações em fases iniciais do ciclo de vida familiar, enquanto perfis como idosos ou famílias extensas permanecem expostos a riscos por não serem realocados.
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