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Ensaios

v. 7 n. 2 (2021): Outros mundos: novas subjetividades, novos métodos

Relatos de uma não-deriva por uma ex-cidade fantasma chinesa

Enviado
janeiro 29, 2022
Publicado
2021-12-31

Resumo

Existiam pelo menos três voos diretos saindo do aeroporto de Nanyuan em direção a Ordos, mas nenhuma companhia aérea (em sã consciência) disponibilizaria essa quantidade de voos diários para uma cidade fantasma. Recentemente, o aeroporto, inaugurado em 1910, enquanto a China ainda estava na Dinastia Qing, teve suas operações transferidas para o megalomaníaco Daxing Airport, desenhado pelos arquitetos da Zaha Hadid Architects, fechando as portas de uma vez por todas e causando comoção no país - já que até o Henry Kissinger aterrissou por lá em função da emblemática visita de Richard Nixon à China em 1971.

Quatro anos antes de encerrar suas atividades em 2019, pegamos um voo lotado de passageiros indo de Pequim para Ordos, saindo deste aeroporto, e nos perguntávamos: será que estamos mesmo na fila para aquela cidade fantasma que vimos noticiada na mídia quando ainda estávamos no Brasil? Fomos com uma série de perguntas e desconfianças até Ordos, projetada para uma população de 1,3 milhões de habitantes e com apenas 2% de construções ocupadas na época. Paramos no tal aeroporto, dormimos a primeira noite em um centro próximo e seguimos para o novo distrito de Kangbashi.

Pegamos um taxi, o motorista usava óculos escuros e parecia o Psy da música Gangnam Style, lançada em 2012 - mesmo ano, aliás, que Wang Shu levou o Prêmio Pritzker; ao que, em meio a todas essas coincidências e devaneios, chegamos em grande centro cívico composto por um eixão monumental, ao melhor estilo da dupla Lúcio e Oscar, e com céu límpido de uma letra do Djavan. Não contentes, aquele centro histórico forjado, criado e previsto em projeto (chamado Kangbashi touristArea) de dar inveja a Ouro Preto ou Pelourinho, com direito a um enorme museu, amorfo, sem acervo e sem exposições, desenhado pelos MAD Architects – que lhes pouparemos a tradução e trocadilho – contava também com uma série de casas em construção

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