Próximos números
Número 38: Direitos humanos na tradição judaica
Editores: George Otte (UFMG) e Lyslei Nascimento (UFMG)
Na perspectiva judaica, os Direitos Humanos se originam na noção teológica de que todos os homens foram criados à imagem de Deus, o que lhes confere dignidade e obrigações de justiça, ética e solidariedade. Os fundamentos teológicos do judaísmo garantem a proteção da vida, do fraco, do estrangeiro, proporcionando direitos como repouso, educação e uma vida digna, que se resumem no conceito de “Tzedek”, que envolve a prática da justiça, retidão e responsabilidade ética que orienta a vida em sociedade, em suas escolhas e responsabilidades, e serve como base para uma vida em sociedade mais digna. Sendo assim, grandes valores que orientam a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, de 10 de dezembro de 1948, estão presentes na religião, na cultura e na tradição judaica, desde os primórdios. Mesmo antes de registrá-los na Bíblia, mas sobretudo nela e a partir dela, a tradição oral hebraica já evidenciava o apelo à Justiça, principalmente em defesa dos fracos e combalidos, como está presente no livro de Amós e de Miqueias; a igualdade entre as pessoas, o acolhimento ao estrangeiro, o direito de asilo, o repouso semanal, o direito de todo homem ao alimento, superpondo-se ao direito de propriedade privada, a sacralidade do salário, as questões legais sobre a propriedade, como em Deuteronômio e Provérbios; a solidariedade para com órfãos e viúvas, também ensinada em Deuteronômio e Provérbios; a condenação da usura, como visto em Êxodo e Neemias: a identidade de origem de todos os homens, como fator de igualdade entre os homens, o homem como imagem de Deus, como em Gênesis e Salmos; a possibilidade da libertação de prisioneiros, como em Isaías; a fraternidade, como em Levítico e Provérbios; a construção da paz, como em Miqueias; a solidariedade universal, como enaltece os Salmos. Essas e outras questões foram desenvolvidas no Talmude com foco na dignidade, como um direito inalienável e uma obrigação; na importância das obrigações coletivas, como a educação, a alimentação e a vida digna, com regulamentação de deveres familiares e sociais; na responsabilidade individual pela conduta ética. Esses temas que vão além da tradição judaica perpassam o trabalho de escritores, cineastas e outros artistas e pensadores, para quem a reflexão e a arte traduzem reflexões, paradoxos, engajamentos. O encontro dialógico proposto por Martin Buber, por exemplo, por intermédio do Eu-Tu, as “palavras-princípio” fundamentais para seu pensamento; a ficção de Franz Kafka e Isaac Bashevis Singer, marcadas pelo absurdo, pela alienação, a angústia existencial, que põem em xeque a própria questão do ser e da humanidade; bem como a noção de banalidade do mal, de Hannah Arendt, são alguns deles. A edição receberá, ainda, resenhas, contos, poemas, traduções, crônicas e outros trabalhos artísticos de tema livre, como fotografias e charges.
Publicação: maio de 2026
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Número 39: Antissemitismo contemporâneo
Editores: Luiz Nazario (UFMG/Stand With Us) e Lyslei Nascimento (UFMG/Stand With Us)
Data-limite para recebimento de trabalhos: 30 setembro 2026
Publicação: novembro de 2026
Nas últimas décadas – e de maneira particularmente intensa após 7 de outubro de 2023 – o antissemitismo deixou de ser compreendido como resquício histórico ou fenômeno periférico para reaparecer como problema estrutural nas democracias contemporâneas. Sua presença se manifesta em múltiplas arenas: nas redes sociais, no debate político, no ambiente universitário, nos festivais de cinema, nas manifestações de protesto com discursos identitários e em conflitos geopolíticos que repercutem nas sociedades nacionais. Se o antissemitismo sempre foi um fenômeno histórico mutável, no presente ele assume formas que desafiam categorias tradicionais de análise. Ele pode aparecer como racismo explícito, teoria conspiratória, inversão memorial da Shoah, deslegitimação da autodeterminação judaica, suspeição de dupla lealdade ou demonização simbólica. Em alguns contextos, articula-se a discursos anti-imperialistas, identitários ou pós-coloniais; em outros, reaparece vinculado a extremismos de direita e de esquerda, negacionismo histórico ou mitologias políticas autoritárias. O debate internacional recente tem enfatizado a necessidade de tratar o antissemitismo contemporâneo como categoria analítica própria, multidisciplinar e comparativa, capaz de compreender suas formas políticas e discursivas no presente. No Brasil, embora haja uma produção relevante sobre a história do antissemitismo, o Holocausto e as relações judaicas na modernidade, ainda carecemos de maior sistematização conceitual, articulação interdisciplinar e produção de dados empíricos sobre suas manifestações contemporâneas. Este dossiê parte da premissa de que pensar o antissemitismo hoje é um exercício memorial e uma tarefa intelectual urgente para compreender as dinâmicas atuais de polarização, radicalização e erosão democrática, tanto no Brasil quanto no cenário global. A Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG em parceria com a Stand With Us/Brasil convida pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e do exterior a submeterem artigos inéditos e resenhas críticas para o número 39, dedicado ao dossiê “Antissemitismo contemporâneo”, com o objetivo de fomentar um debate acadêmico rigoroso, multidisciplinar e comprometido com a compreensão das múltiplas formas pelas quais o antissemitismo se reconfigura no presente, tanto no contexto brasileiro quanto no cenário internacional. A edição receberá, ainda, contos, poemas, traduções, crônicas e outros trabalhos artísticos de tema livre, como fotografias e charges.
Submissões exclusivamente pela plataforma: https://periodicos.ufmg.br/index.php/maaravi/about
Para mais informações: revistaarquivomaaravi@gmail.com
Data limite para recebimento de trabalhos: 30 setembro 2026
Publicação: novembro de 2026
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Número 40: Tema Livre
Editora: Andrea Kogan (PUC-SP) Lyslei Nascimento (UFMG)
Data limite para recebimento de trabalhos: 30 março 2027
Publicação: maio de 2027



