• Diários, correspondências, fotografias: a vida privada na cultura judaica
    v. 13 n. 24 (2019)

    Apresentação

    Christiane Stallaert (Universidade de Antuérpia, Bélgica), Eduardo França Paiva (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) e Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil)

    Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG recebeu, neste dossiê, artigos de Bianca Bruel e Rosana Bines, que aproximou Paul Celan de Samuel Rawet, enfocando o acervo desse último e sua importância para a literatura brasileira; Carolina Bertin, que analisou o testemunho reinventado a partir de fotografias em Maus, de Art Spielgelman; Christine Lia e Katani Ruffato, que revelaram a importância das memórias do fotógrafo Sioma Breitman para a história judaica brasileira; Elcio Cornelsen, que analisou a gênese de O diário de Anne Franki, e apontou para esse livro como um legado para a humanidade; Filipe Menezes, que aproximou a violência cotidiana no diário de Anne Frank com o romance Diário da queda, de Michael Laub; Jorge de Freitas, que apresentou uma leitura do discurso “O meridiano”, de Paulo Celan; Lyslei Nascimento e Saul Kirschbaum, que efetuaram uma leitura comparada do romance Sob céus estranhos, de Ilse Losa, e Sob céus estranhos: uma história de exílio, de Daniel Blaufuks; Marta Topel, que, a partir de fotografias de família, refletiu sobre a memória, a pós-memória e a autobiografia; Natália Hateau, Maria Celina Lima, Marcio Acselrad, que analisaram a língua materna no exílio na obra de Aharon Appelfeld; e Sandra Almada Arantes, que analisou o ofício do escritor e o legado da tradição judaica em De amor e trevas, de Amos Oz. Os artigos de Abraham Shemesh, sobre dragões e unicórnios na Arca de Noé; Diego Rosain e Roberto Saya, com uma leitura da divindade na obra de Jorge Luis Borges; e Victor Pena, com um estudo sobre a linguagem mítica em O complexo Portnoy, de Philip Roth, também compõe este número. A edição publicou, ainda, os contos: “O caso dos descendentes de Lot”, de Juliano Klevanskis, e “No alfabeto obscuro”, de Maria José de Queiroz; as resenhas "O último Shabat de Oliver Sacks", de Breno Fonseca e “Ensaios contra a inércia da repetição e da neutralidade diante da Shoah”, de Paulo Rosenbaum; as crônicas: “Autobiografia”, de Meir Kucinski, “Quando Amós Oz chegou ao Brasil”, de Nancy Rozenchan, “Shoah: o indizível que força um dizer”, de Silvia Myssior, e “Minha Jerusalém”, de Uri Lam; a tradução do conto “Bat Israel (Uma filha de Israel), de Yaacov Steinberg, realizada por Gabriel Steinberg; os poemas: “Olhos” e “Depois de Auschwitz”, de Yehuda Amichai, com tradução de Moacir Amâncio; as tiras: “No ventre, Esaú e Jacó” e “Por uma sopa de beterraba”, de Adam Grzybowski e Luis Goldman; e a arte “Razão dos sonhos”, de Vlad Eugen Poenaru.

  • Jorge Luis Borges e o arquivo da tradição judaica
    v. 12 n. 23 (2018)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais) e Ricardo Forster (Universidade de Buenos Aires)

    A Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, n. 23, publica, neste dossiê, importantes artigos que atualizam e revisitam o universo judaico na obra de Jorge Luis Borges. Nesse sentido, o artigo de Alcebíades Miguel aproxima o conto “O Aleph” da obra genial de Xul Solar; Ana Cecília Carvalho promove um inusitado encontro entre Freud e Borges por intermédio das reflexões de ambos sobre o sonho e a criação; Diego Hernán Rosain e Roberto Jesús Saya pensam o sacrifício de Isaque à luz do judaísmo muito singular do escritor argentino; Ivonne Saed reflete sobre arte e literatura no ofício do demiurgo a partir da obra de Borges; Leonor Scliar-Cabral detém-se sobre a presença judaica em alguns poemas borgianos; Mariângela Paraizo lê o Aleph de Borges, a carta de Poe e a música de Cage como componentes estruturais da narrativa; Osmar Oliva estuda as referências bíblicas nos poemas de Elogio da sombra; e Paulo Valadares constrói, como um comentário, uma genealogia judaica para Borges. Participaram deste número, articulistas do Brasil, de Portugal, de Israel, da Alemanha, da Argentina e do México. Na seção “Vária”, destacamos os artigos sobre Rabbi Akiva e a sexualidade, de Abraham Shemesh; sobre ironia e intertextualidade na Bíblia hebraica, de Lucas Martins e Luciano da Silva; sobre a memória sefardita de Portugal, de Paulo Mendes Pinto; sobre a liturgia e a educação como resistência cultural, de Sérgio Feldman; além de uma análise do filme O estranho caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, por Ana Maria Delgado. Bernardo Ajzenberg, Juliano Klevanskis, Luana Chnaiderman e Paulo Rosenbaum colaboraram, neste número, com contos inusitados e borgianos; Carlos Morales e José Mário Pereira estão presentes com suas crônicas afiadas e oportunas; Carlos Nejar e Lyslei Nascimento apresentaram poemas inéditos, à luz de Borges, e Leonor Scliar-Cabral, um poema liricamente sensual; Gabriel Steinberg realizou uma importante tradução; Filipe Meneses e Lyslei Nascimento apresentam resenhas de dois excelentes romances contemporâneos: um policial brasileiro e um bíblico, português; Adam Grzybowski e Luis Goldman comparecem, com o humor necessário inteligente em duas tiras; Osmar Oliva dedica belas e instigantes séries fotográficas a Jorge Luis Borges.

  • Ler e escrever na cultura e na tradição judaica
    v. 12 n. 22 (2018)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, n. 22, recebeu, neste dossiê, artigos que refletem, de forma multi e transdisciplinar, sobre a leitura e a escrita na cultura e na tradição judaicas. Analisando textos bíblicos e literários, cinematográficos e fotográficos, ensaístas do Brasil, de Israel, da Alemanha e de Portugal, avaliam, neste número, a obra de escritores e artistas que colocam em cena o grande legado judaico para a cultura ocidental: a interpretação. Nesse sentido, a tecnologia, humana por excelência, de ler e escrever é estudada e o que temos, aqui, é um delineamento dessas duas faces de uma produção humana. Lendo o Eclesiastes, por exemplo, Abraham Ofir Shemesh, estuda a crença de que informações ocultas eram transferidas das aves para os seres humanos; André Melo Mendes lê a tradição do retrato pelas lentes de Annie Leibovitz; Corinna Deppner percorre caminhos sefarditas no romance de Moacyr Scliar; Daniela Guertzenstein analisa as cores nos textos bíblico à luz da literatura judaica rabínica; Dionei Mathias avalia conflitos relacionados ao processo de imigração e à sua redefinição em novos contextos culturais; Gisélle Razera analisa a representação de matriarcas em Virgínia Woolf e em Elisa Lispector; Jefferson Barbosa identifica, em Franz Kafka, uma intersecção entre a crise da tradição, levantada por Walter Benjamin e Gershom Scholem, e a textualização da verdade que se depreende das práticas exegéticas na tradição mística do judaísmo; Lucas Martins investiga o exílio babilônico e sua influência na linguagem da literatura profética, principalmente, em Jeremias; Luciane Fernandes reflete sobre ler o mundo, escrever um poema e fazer um desenho a partir da produção artística de crianças do campo de concentração de Terezín; Nancy Rozenchan revela as relações entre parábola e apólogo em um conto de Shelly Oria e Nelly Reifler; Gilmei Fleck e Nilton Ferreira estudam o trovadorismo na contemporaneidade como uma expressão medieval em canções populares sefarditas; Jorge Alves Santana analisa, na obra da poetisa israelense Dahlia Ravikovitch, as relações israelo-palestinas; Rafael Silva estuda a obra de Jacques Derrida e os desafios e potencialidades da escrita na contemporaneidade; Rafaela Sanches avalia a representação de judeus na imprensa fluminense em meados do século XIX e o romance histórico As minas de prata, de José de Alencar; Rodrigo Bittencourt avalia que a ausência de pactos demoníacos na Bíblia Hebraica, recorrente na literatura, está longe de ser ali endossada. Uri Zur comenta um fragmento da Genizah do Cairo, sobre uma disputa territorial. Além desses importantes artigos, a revista publica arte, crônica, humor, poesia, resenha e tradução. 

  • O arquivo judaico da Segunda Guerra Mundial
    v. 11 n. 21 (2017)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais) e Vinícius Mariano Carvalho (King’s College London)

    A Arquivo Maaravi: Revista Digital do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG, n. 21, recebeu, para este dossiê, artigos que refletem, de forma multidisciplinar, sobre os judeus e a Segunda Guerra Mundial, especialmente, estudos sobre o Brasil no período anterior, em meio e no pós-guerra. A impactante vanguarda judaica na Romênia e o discurso do exílio; o salvamento de judeus por judeus, fato quase desconhecido da narrativa histórica em relação à saga dos Justos entre Nações; a proposta do arquivo virtual sobre o Holocausto e o antissemitismo, o ArqShoah, bem como a participação de soldados judeus na Força Expedicionária Brasileira (FEB); a representação latente da Shoah em Clarice Lispector; estratégias religiosas e culturais no filme O filho de Saul, de László Nemes; os limites do testemunho literário em Primo Levi; o fascínio e a obsessão pelas listas em Ver: amor, de David Grossman; os refugiados judeus em Portugal; a escrita de si e a cura de mazelas em O pianista, de Wladylaw Szpilman; a greve dos carpinteiros no gueto de Lodz são alguns dos importantes temas aqui abordados.

  • Textualidades judaicas contemporâneas
    v. 11 n. 20 (2017)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais) e Nancy Rozenchan (Universidade de São Paulo)

    A Arquivo Maaravi: Revista Digital do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG, n. 20, recebeu, para este dossiê, artigos que refletem sobre formas de textualidades judaicas na contemporaneidade. A tradição judaica, de forma paradigmática, permite abordar a ficção, bem como as relações da literatura com a tecnologia, o cinema, a fotografia, a cibernética e as artes visuais e gráficas em geral. Os valores literários, considerados imprescindíveis, que Italo Calvino elencou em Seis propostas para o próximo milênio – a leveza, a exatidão, a multiplicidade, a rapidez, a visibilidade e a consistência – são alguns dos operadores capazes de delinear, em vários níveis, a inscrição dessa tradição na atualidade, sua incidência e estratégia de enunciação e resistência. Das tábuas da Lei às telas do computador, como apontam Regina Zilberman e Marisa Lajolo, a relação dos judeus com as palavras é fundamental. Da materialidade do suporte sobre a qual se instala a produção literária, passando pelo hipertexto e pela invenção de realidades virtuais, a textualidade judaica também põe em cena o escritor e sua representação, nem sempre cordiais ou submissos, com o ofício da literatura. Amós Oz e Fania Oz-Salzberger definem a controvérsia, a ironia, o autoexame, além de uma particular relação com a memória, como estratégias discursivas em que a experimentação de estilos, de gêneros, de autorias, configura uma linhagem de textos que exibe múltiplas vozes, lugares e formas de inscrição de uma tradição criativa e criadora.
  • A tradução no arquivo da tradição judaica
    v. 10 n. 19 (2016)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A Arquivo Maaravi: Revista Digital do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG, n. 19, apresenta, neste dossiê, artigos sobre a tradução, especificamente na área dos Estudos Judaicos, considerando estratégias teóricas que podem dela se avizinhar, ou seja, a partir das relações interlinguais, intralinguais ou reformulações e intersemióticas. Nesse sentido, foram considerados textos sobre traduções das línguas judaicas – hebraico, ídiche, ladino – entre si ou para outras línguas; e textos da tradição judaica traduzidos para outros sistemas como o cinema, a pintura, a música, a dança, a fotografia. Está, também, no horizonte dessa edição, compreender a tradução como ponto de partida para a recriação de um lado fugidio, misterioso ou poético da literatura, para além, portanto, de uma noção esquemática e tradicional de comunicação. Nesse sentido, foram considerados artigos que pensam a tradução como um jogo intertextual; bem como sobre a literatura como operação tradutora permanente e necessária.

  • A poesia no arquivo da tradição judaica
    v. 10 n. 18 (2016)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A poesia na tradição bíblica, hebraica, israelense ou judaica constitui-se como uma das vertentes mais deslumbrantes da literatura de todos os tempos. A circunscrição dessa poesia já é, em si, reveladora de seus vários matizes. A terra prometida, a pátria, o exílio, a relação do homem com o  sagrado,  as agruras e os sofrimentos, bem como o amor, a família e a linguagem são temas especialmente tratados pelos poetas que encontram, na tradição, inúmeras possibilidades de expressão. O mal, a melancolia, a dor e a morte também são tratados, muitas vezes, com humor e ironia. A Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, n. 18, apresenta aqui um conjunto de artigos, resenhas, traduções, poemas e arte sobre essa singular produção, abarcando distintos ramos e gerações.

  • Família e infância na cultura judaica
    v. 9 n. 17 (2015)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A infância e a família são temas especialmente instigantes na tradição judaica. O dossiê n. 17 da Arquivo Maaravi: Revista Digital do Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG traz desde reflexões bíblicas de caráter religioso sobre a primeira família, sua origem e constituição, até as relações parentais conformadas no Éden e pós-Queda. Essas narrativas determinam arquétipos e mitos que sobrevivem na literatura e em outras artes em todos os tempos. Tanto os clãs que se confundem com a tribo, a fundação das cidades, os crimes, delitos e transgressões que norteiam essas laços familiares na Bíblia, quanto a migração desses temas para a ficção, permeiam genealogias e tradições marcadas por ligações sanguíneas, afetivas e de propriedade. Quase ausente no texto bíblico, a infância é, na maioria das vezes, anônima e sujeita a perseguições e mortes, sacrificiais ou políticas. Na modernidade, a criança também é representada como uma vítima das guerras, da Inquisição, da Shoah. Há, no entanto, contemporaneamente, uma ficção que traz, para o primeiro plano, a infância e a família com suas singularidades. Bashevis Singer, Adão Voloch, Elisa Lispector, Ilse Losa, Samuel Rawet, Miguel Torga, além de Carlos Drummond de Andrade e Michael Laub são alguns dos escritores que, com um olhar – lírico, idealizado, às vezes também, cáustico e, por vezes, irônico, constroem esse mundo em que infância e família são um inquietante motivo literário.

  • Coleções, listas e arquivos judaicos
    v. 9 n. 16 (2015)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG recebeu artigos sobre coleções, listas e arquivos judaicos, materiais ou metafóricos. Esses temas constituem um importante ponto de reflexão sobre a memória, a literatura e a arte judaica. Ao se utilizarem dessas formas de organização, escritores e artistas podem, a um só tempo, expor as mazelas do arquivo infinito e imponderável, suas propensões ao absurdo, à vertigem e ao acúmulo obsessivo, bem como exibir a necessidade de se avaliar os contundentes espólios, a listagem das ruínas e a reinterpretação dos acervos como arquivos continuamente abertos à leitura. Inúmeros escritores, como Georges Perec, David Grossman, Jonathan Safran Foer e, no Brasil, Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Noemi Jaffe e Michael Laub, só para citar alguns, deixam vislumbrar, em suas obras, uma poética da coleção, da lista e do arquivo. Artistas como Christian Boltanski, que trabalha com a memória da Shoah, por exemplo, e exibe em Les Archives (Os arquivos), de 1987, e em instalações como Autel De Lycée Chases (Altar ao Liceu de Chases), 1988, fotografias de crianças judias vítimas do genocídio, ou Réserve [Reserva], 1990, onde acumulações de roupa usada evocam as imagens dos campos de concentração, proporcionam uma reflexão importante sobre a obsessão com a memória, a violência e o poder. No Brasil, Leila Danziger apresenta na exposição O que desaparece, o que resiste, livros e vídeos cujo inventário de perdas e ganhos também explora essa tensão entre a lembrança e o esquecimento. A estratégia de fazer o arrolamento significa, para além da lista e da acumulação, revelar a tensão entre o que restou e o que se preservou e, de forma lacunar e fantasmagórica, narrar uma história de dor e de afeto que ainda sobrevive no imaginário, e consiste em um requintado artesanato.

  • Arquivo brasileiro de literatura e arte judaica
    v. 8 n. 15 (2014)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A multiplicidade da produção judaica literária e artística brasileira, em toda a sua diversidade e incidência, foi contemplada no dossiê n. 15, da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Foram publicados artigos que estudam autores e temas judaicos na literatura e nas artes brasileiras, bem como suas relações com outros escritores e países. O objetivo desse número é produzir um registro de trabalhos que tenha a tradição judaica brasileira como motivo artístico. Os temas ou a autoria judaica, no Brasil, compõem-se de escritores paradigmáticos – poetas, romancistas, contistas, memorialistas, dramaturgos –; de artistas singulares e obras multifacetadas que ora se dedicam à temática nacional, ora estabelecem vínculos e diálogos com outros textos, outras imagens. Os temas judaicos foram analisados em importantes escritores brasileiros como Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Dias Gomes, Inglês de Sousa e Moacyr Scliar. Também publicamos um estudo sobre as cartas de Olga Benário, bem como vários artigos sobre artes plásticas, incluindo estudos sobre a poética de Leila Danziger. Ainda constam, neste número, resenhas importantes sobre Bernardo Kucinsky, Bernardo Sorj e Bernardo Ajzenberg; o refinado humor de Adam Grzybowski e Luis Goldman; além dos contos de Ana Cecília Carvalho, Hadasa Cytrynowicz e Cláudio Feldman e a arte de Vlad Eugen Poenaru.

  • Biografias e autobiografias judaicas
    v. 8 n. 14 (2014)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O número 14 da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG tem como tema de seu dossiê “Biografias e autobiografias judaicas”. Contemplamos, com essa edição, a vida de escritores, artistas e personalidades judaicas, a história de vida de pessoas comuns, que tenham escrito ou sejam objeto da escrita. Foram publicados artigos sobre Arnold Schoenberg, Boris Schnaiderman, Cíntia Moscovich, Clarice Lispector, Irving Layton, Louis Bec, Moacyr Scliar e Villém Flusser, além de personagens e identidades judaicas no texto bíblico e na obra de Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Dionélio Machado. As histórias de pessoas, no sentido mais amplo a “escrita” da “vida”, revelam, nesses trabalhos, a riqueza das grandes personalidades em diálogo com a vida cotidiana, simples e particular, ao lado de, talvez, quase anônimos autores de memórias, diários, autoficções; as nuances sobre a inscrição da vida privada na memória e na vida pública, detectadas nos registros biográficos, iluminando tanto a complexidade do fazer literário, no que diz respeito aos escritores e às referências à escrita, quanto os registros da própria vida, o fazer biográfico de si e de outrem. 

  • Mapas, territórios e geografia na arte e na literatura judaicas
    v. 7 n. 13 (2013)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O número 13 da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG apresenta como tema “Mapas, territórios e geografia na arte e na literatura judaicas”. A conformação de espaços míticos, bíblicos, imaginários ou reais na ficção, bem como a representação de aldeias, cidades ou países reais ou imaginários que possibilitam reflexões importantes sobre fronteiras, limites e territórios. A presença judaica na Península Ibérica, no mundo ídiche europeu, bem como na América, em Israel ou no Oriente é, a partir de uma perspectiva literária, histórica ou geográfica, muito instigante. Na ficção, certa “poética do espaço”, como pensou Gaston Bachelard, ou de “comunidade imaginária”, como queria Benedict Anderson, amplia os estudos sobre os múltiplos e variados deslocamentos judaicos em suas relações com as expulsões, as diásporas e as imigrações. Os mapas, os territórios e a geografia, na prosa e na poesia, delineiam um papel importante da literatura judaica e sua abordagem aponta, ainda, para uma preocupação com o desenho que a tradição judaica adquire na contemporaneidade. Nesse sentido, o mundo judaico parece sempre ampliar-se, para além das fronteiras, até os espaços imaginários da ficção.

  • As mulheres no arquivo da tradição judaica
    v. 7 n. 12 (2013)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O número 12 da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG tem como tema de seu dossiê “As mulheres no arquivo da tradição judaica”. Apresentamos aqui importantes artigos sobre as mulheres no Brasil Colonial, sob o cetro da Inquisição e do Santo Ofício; na Shoah, um estudo fundamental sobre a poetiza Ilse Weber; sobre a arte, o trabalho instigante de Sigalit Landau; bem como sobre a escrita e a reescritura da Bíblia de Clarice Lispector; além de reflexões sobre personagens femininas na Bíblia e um estudo sobre a condição da memória e da identidade judaica a partir do tango.

  • Dossiê Moacyr Scliar
    v. 6 n. 11 (2012)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG é dedicado a Moacyr Scliar (1936-2011). Autor de quase uma centena de livros, sua obra, que foi traduzida para cerca de 15 línguas, configura-se como um mosaico em que o Brasil, o exercício da medicina e a tradição judaica contribuem não só para evidenciar a rica cultura literária brasileira, mas também, é uma referência importante e internacional dos estudos judaicos brasileiros. Scliar foi mais do que um contador de histórias, mas ele as sabia contar como ninguém. O centauro no jardim, A estranha nação de Rafael Mendes, A mulher que escreveu a Bíblia e Os vendilhões do templo são apenas algumas das muitas e magistrais histórias contadas por ele. O exercício da reescrita e da ironia é, em Scliar, uma marca indelével. O arquivo da tradição judaica acessado pelo escritor é especialmente instigante. “As pragas”,  “As ursas” e “Balada do falso Messias”, além de outros tantos contos de inspiração bíblica, inscrevem o escritor numa longa tradição de exímios contistas que revisitam, pela ficção, as Sagradas Escrituras. Mestre da narrativa breve, como o conto e a crônica, os textos de Scliar frequentaram também os jornais, o cinema, o teatro. Múltiplo e incansável, proferiu aulas e conferências; participou de conversas com outros escritores e, principalmente, com seus inúmeros leitores. Nesse dossiê, trazemos à luz artigos de importantes críticos sobre a obra de Scliar. Também artigos fundamentais sobre Judaísmo, tema caro a obra do escritor, aparecem nesse número. Nosso desejo é que a letra e a voz de Moacyr Scliar reverberem na leitura desses textos, bem como de sua obra.

  • Detalhe de "Abraão e Sara", de Vlad Eugen Poenaru Ética e estética no arquivo da literatura judaica
    v. 6 n. 10 (2012)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Enquanto a estética parece apontar para uma dimensão plural da obra de arte e da literatura, como uma espécie de liberdade infinita e ilimitada, a ética tende a submeter a criação artística a uma reflexão filosófica sobre a moral e o direito. Nesse sentido, este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG pretende refletir sobre quais seriam as possibilidades de articulação do belo e do sublime, em suas múltiplas nuances, com a ética, bem como sobre os desafios que a literatura, na contemporaneidade, teria nos tênues limites entre ética e estética. A literatura judaica ao tratar de temas caros tanto à ética quanto as preocupações estéticas possibilita uma reflexão importante sobre esse debate na contemporaneidade. A literatura israelense e da diáspora, por exemplo, com sua representação sobre guerra e violência; o desdobramento dos testemunhos e memórias sobre a Shoah, em narrativas ficcionais; as várias faces do feminino e da infância, bem como as relações, na maioria das vezes tensas, entre o sagrado e o profano também tornam esse debate mais instigante e importante. Como se dá, por exemplo, o humor, a ironia e a sátira em narrativas sobre a Shoah? Como a literatura de imigração, as memórias e as biografias se articulariam com a dimensão ética da literatura judaica? Quais seriam os limites a serem preservados e quais aqueles que devem ser transgredidos? Como se articulariam as vozes da mulher e da infância em narrativas em que a ética e a estética estejam sendo construídas em espaços limítrofes? Essas e outras questões do universo literário judaico são objeto de discussão neste número.

  • Detalhe de "Voo", de Vlad Eugen Poenaru Arquivo sefardi e ídiche de literatura e outras artes
    v. 5 n. 9 (2011)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG pretende dar visibilidade à inúmeras manifestações da cultura ídiche e sefardi na literatura e em outras artes. A produção literária e artística judaica constitui, não resta dúvida, um dos acervos mais importantes da cultura ocidental. Escritores ídiches, com seu humor peculiar, suas personagens marcantes, bem como sua forma singular de retratar o schtetl – a vilazinha judaica, com seus usos e costumes, sua melancólica miséria, de acordo com a feliz definição de Moacyr Scliar; o impacto do nazismo sobre esse mundo que quase se perde na Segunda Guerra Mundial; a força dos artistas que sobrevivem a esse mal, suas interrogações a partir da literatura, do cinema e das artes em geral devem ser iluminadas com artigos, resenhas, contos e poemas, que deixem vislumbrar a resistência, a multiplicidade e a importância dessa expressão judaica no Ocidente. A produção sefardi, com sua rica poesia e sua sofisticada filosofia, reflexões sobre a vida judaica e suas relações com outras culturas na Espanha, Portugal, Grécia e África também foram aqui contempladas. Além disso, houve oportunidade para se tratar da Inquisição e suas reverberações na produção artística judaica, em geral, e nas Américas e no Brasil, especificamente.

  • Detalhe de "Sião", de Vlad Eugen Poenaru. Arquivo latino-americano de literatura e de arte judaica
    v. 5 n. 8 (2011)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O arquivo latino-americano de literatura e de arte judaica apresenta-se como um concerto de múltiplas vozes que, para além da imigração, muitas vezes forçada pela intolerância religiosa, política e étnica, constitui uma condição identitária híbrida que potencializa a expressão. Temas importantes como o exílio, a herança bíblica e a shoah são recorrentes nesse acervo. Dos importantes escritores argentinos, como Alberto Gerchunoff, considerado o pai da literatura de imigração judaica na América e seus "gaúchos judíos"; o poeta Juan Gelman, de origem askenazi, que escreveu, em judeu espanhol, vários poemas que foram magistralmente musicados em Una mano tumó l´otra; "O gueto", da poetiza Tamara Kamenszain; "a saga do marrano", de Marcos Aguinis; a obra de Gabriela Avigur-Rotem. Escritores não judeus encontraram, ainda, na cultura, religião e tradição judaicas, metáforas, signos, formas de expressão que alcançaram, na literatura, a máxima expressão, como o conto "O Aleph", de Jorge Luis Borges, por exemplo. No Brasil, os escritores descendentes de imigrantes judeus, como na caracterização de Regina Igel, não são poucos expressivos: Antonio José da Silva, o judeu; Samuel Benchimol, que narra a saga dos judeus no norte do país; Clara Steinberg; Hersch Schwartz; Meir Kucinski; Rosa Palatnik; Adolpho Kishinievski; Baruch Schulman; Abraão Brener; Marcos Jacobovitch; Chaim Rapaport; Isaac Raizman; Leib Malach; Itzkchak Guterman e Josif Landa, que escreveram em ídiche; além da contundência da escritura de Samuel Rawet; da ironia e humor de Jacó Guinsburg; da diversidade da pena de Moacyr Scliar; passando pelas muitas macabeas, de Clarice Lispector; bem como da escrita inteligente e refinada de Cíntia Moscovich; dos livros infanto-juvenis de Tatiana Belinki; da crônica do cotidiano de Eliezer Levin e Samuel Malamud; só para citar alguns. Vale também lembrar, a presença judaica em inúmeras obras de escritores não judeus, como em Machado de Assis, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Vinícius de Moraes. A expressão judaica nas artes plásticas, na música, no teatro e no cinema são, também, incontáveis: o uruguaio Jorge Drexter, com seu "pianista do gueto de Varsóvia"; a ilustradora brasileira Renina Katz; Carlos Scliar; o teatro ídiche, principalmente de São Paulo; além das obras de Sergio Fingermann; Anna Bella Geiger; Luise Weiss; e Leila Danziger.

  • Detalhe de "Mundo louco", de Vlad Eugen Poenaru. Arquivos do exílio: geografias da dispersão
    v. 4 n. 7 (2010)
    APRESENTAÇÃO

    Lyslei Nascimento 

    Exílios e diásporas constituem, juntamente com a memória, as experiências fundamentais da história judaica. Este número da Arquivo Maaravi tem como tema o exílio, suas geografias e suas memórias literárias, históricas, artísticas. Ricardo Forster em El exílio de la palabra, afirma que a pátria judaica sempre está em outro lugar, assim, os artigos aqui apresentados tratam dos fragmentos dispersos da memória judaica que foram espalhados pelo mundo e que tem alimentado a cultura do Ocidente. “Errantes por definição, viajantes infatigáveis, construtores de caravanas intermináveis que foram abrindo o horizonte, vivemos na perplexidade de um cosmopolitismo que, cedo ou tarde, parece voltar-se conta nós; como se essa errância, essa condição diaspórica, encerrasse a maravilha do descobrimento, da mistura de línguas e culturas”, mas também o medo e o ódio daqueles a que consideramos nossos vizinhos, afirma Forster. Por sobre a comunidade judaica, seja ela na Diáspora ou em Israel, pairaria, segundo o crítico, uma imagem estranha que espelharia o indecifrável e, por vezes, o demoníaco, oriundo do medo e do ódio ao judeu. Os artigos deste número apresentam, portanto, uma reflexão crítica sobre a sempre complexa condição em que os judeus se encontram como os Outros, falantes de uma língua imemorial e labiríntica que recria incessantemente a sua identidade, ou identidades. Conformados a partir do seu próprio itinerário, a literatura e a arte judaica, ou que a elas se referem, deverão proporcionar uma reflexão sobre as marcas dos passos dados pelos judeus desde que Abraão iniciou a marcha e o exílio.

  • Detalhe de "Terra", de Vlad Eugen Poenaru. Arquivos Israel: literatura, arte, cinema
    v. 4 n. 6 (2010)
    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    "Belo como um leão ao meio-dia". Em vários poemas, contos e conferências, Jorge Luís Borges reitera sua admiração ao Estado israelense. No célebre poema "Israel, 1969", vaticina o destino heróico do novo cidadão judeu em plena Guerra dos Seis Dias: "Serás um israelense, serás um soldado. Edificarás a pátria com lodaçais e a erguerás com desertos. Trabalhará contigo teu irmão, cujo rosto não viste nunca. Uma única coisa te prometemos: teu posto na batalha." Após 60 anos da Independência de Israel, o país inspira escritores e artistas de todo o mundo. Forjada sobre uma antiga tradição, a nação floresce em meio a intrincadas e complexas relações políticas e religiosas. As transformações rápidas e intensas podem ser demarcadas, em um primeiro momento, no período pioneiro, na guerra da independência; depois, na construção do Estado, nas guerras e na imigração. Novos desafios são gerados e superados a partir dessas circunstâncias que provocam uma inquietação constante, fermentando um farto e rico material para a produção literária, artística e cinematográfica. A poesia e a prosa de Israel ou sobre Israel nutrem-se de temas e imagens que vão da Bíblia a outras fontes da tradição judaica como o Talmud, passando pelo legado e da contribuição dos judeus da diáspora, asquenazitas e sefarditas, bem como pela linguagem e ritmo coloquiais, do dia a dia do Israel atual. As artes israelenses, desde o início do século 20, demonstram uma orientação criativa e multicultural, influenciada pelo encontro entre o oriente e o ocidente. A terra e seu desenvolvimento, suas cidades antigas e modernas e tendências estilísticas oriundas dos centros artísticos fora de Israel mesclam-se num mosaico de culturas judaicas e nacionais – seus cidadãos nativos ou oriundos de um sem número de países, falam um sem número de línguas, do hebraico ao alemão, do português ao chinês, do árabe ao iídiche. A paisagem, tanto geográfica quanto culturalmente diversificada e multiétnica do país, exibe-se na pintura, na escultura, na fotografia. O cinema israelense passou por grandes transformações desde os seus primórdios, nos anos 1950. As primeiras películas produzidas e dirigidas por israelenses possuem uma tendência ao heróico, que também marcou a literatura da época. Hoje, os filmes procuram retratar a vida cotidiana em Israel; o destino dos sobreviventes do Holocausto e de seus filhos; as dificuldades dos novos imigrantes; e o conflito árabe-israelense. O sexto número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG não se deterá, apenas, à formação de Israel e suas batalhas, entre os lodaçais e os desertos, mas pretende, também, abordar questões contemporâneas nos principais campos de batalha da atualidade: na literatura, na arte e no cinema.

    Dedicatória

    Helena Lewin nasceu no Rio de Janeiro. é socióloga, com graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1981). Atualmente é Professora Colaboradora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Mulher e da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. Responsável pelo Programa de Estudos Judaicos da UERJ, organizou e liderou várias edições do Encontro Brasileiro de Estudos Judaicos, no Rio de Janeiro. Organizou e publicou inúmeros livros, artigos e ensaios no Brasil e no exterior. Entre eles: Judaísmo: memória e identidade; Judaísmo e modernidade: suas múltiplas inter-relações; Identidade e cidadania: como se expressa o judaísmo brasileiro.

  • Detalhe de "Carpinteiro", de Vlad Eugen Poenaru. Crimes, pecados e monstruosidades no arquivo da tradição judaica
    v. 3 n. 5 (2009)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Desde a Bíblia, literal ou simbolicamente, histórias de crimes, pecados e monstruosidades permeiam não só a tradição judaica, mas também de toda a humanidade. Essas histórias surgem com o homem e os acompanham através dos tempos como uma força sinistra. Porém, em meio a essas histórias, produziram-se leis, tratados, literatura e arte que, em contraponto, elaboraram o mal neles contido, dando-lhes um desdobramento crítico ou artístico. Do Éden ao divã, esses relatos povoam nossa imaginação e constituem mitos fundacionais não só religiosos, mas, principalmente, criadores de livros, filmes e músicas que se beneficiaram, sobremaneira, do que o crime, o pecado e a monstruosidade puderam, e podem, produzir de medo, horror e glória. No contexto da tradição judaica, que não é só bíblica ou talmúdica, originou-se um imaginário em que situações-limite transformam crimes em pecados, e estes em monstruosidades. No cadinho do artista, do escritor, do psicanalista ou do religioso, interpretações, outras narrativas, são pungentemente delineadas.  A queda do homem e suas consequências; o assassinato de Abel por Caim e a fundação da primeira cidade; a inveja, a escravidão e o incesto; toda sorte de crimes sexuais e barbáries tiveram, na Escritura, o estatuto de pecado. Este, por sua vez, adquiriu de forma extravagante, em muitas ocasiões, conotações de monstruosidades. O assassinato das crianças pelo enlouquecido faraó do Egito ou a premeditação e a cegueira de Davi, em suas ações, diante do desejo por Betsabá são exemplares dessa interrelação entre crime, pecado e monstruosidade. Profetas, reis, salmistas, e, mais tarde, escritores e artistas, conceberam relatos cheios de paixão, ódio, amor e, por que não dizer, humanidade. Poemas de dor, romances de paixão, filmes de horror e medo fazem retumbar, em nossas consciências, muito do que foi cunhado a partir dessas narrativas fundacionais. Evidentemente, não é só a Bíblia e o Talmude que dão suporte à tradição judaica. Neste número, a Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG apresenta leituras críticas do teatro ídish, dos monstros judaicos de Borges, da figura do Diabo no contexto da Patrística e outros excelentes artigos que perfazem uma concepção viva, contemporânea, da tradição judaica, apontando, sempre, para sua constante reescritura. 

    Dedicatória 

    Este número da Arquivo Maaravi é dedicado a Boris Schanaiderman, o mais ilustre tradutor e intérprete da literatura russa no Brasil. Professor, ensaísta e escritor que traduziu Dostoievski, Tchekhov, Tolstoi, Gorki, Pushkin, Maiakovski, entre tantos escritores fundamentais para a língua portuguesa nasceu em Úman, na Ucrânia, em 1917, e depois foi, com a família residir em Odessa, onde presenciou as filmagens da clássica cena da escadaria, do filme O encouraçado Potemkim, de Eisenstein. Aos oito anos veio com os pais para o Brasil e, em 1941, naturalizou-se brasileiro. Lutou na Segunda Guerra Mundial, na Força Expedicionária Brasileira, FEB, experiência que ele relata, ficcionalmente, no romanceGuerra em surdina, de 1964. Schanaiderman começou a traduzir autores russos em 1944 e a colaborar na imprensa brasileira a partir de 1957. Agrônomo e, apesar de não ter estudado Letras, foi escolhido para iniciar o curso de Língua e Literatura Russa da Universidade de São Paulo, em 1960. Devido ao modo como a cultura russa era vista no período da ditadura militar no Brasil, e a suas posições frente à repressão, além de ter passaporte soviético, foi preso em sala de aula. Escreveu importantes ensaios como Dostoiévski prosa poesia(Perspectiva, 1982) e Turbilhão e semente: ensaios sobre Dostoiévski e Bakhtin (Livraria Duas Cidades, 1983). Recebeu o prêmio Jabuti pela tradução da obra de Pushkin A dama de espadas(Editora 34, 1999), que realizou em parceria com Nelson Ascher. Em 2007, foi agraciado pelo governo da Rússia com a Medalha Pushkin, em reconhecimento por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior.

  • Detalhe de "Gueto", de Vlad Eugen Poenaru. Humor: o riso, a ironia e a controvérsia no arquivo da cultura judaica
    v. 3 n. 4 (2009)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A Torah e o Talmude são apontados por vários estudiosos como uma das fontes mais importantes do humor judaico. Enquanto esses textos religiosos intentavam corrigir o vício e a insensatez, usando para isso a ironia, o sarcasmo e o jogo de palavras, o humor que tem sua origem na Europa nasce num contexto de perseguições aos judeus. Também fazem parte desse contexto adverso as imigrações forçadas pelas péssimas condições de vida e por embates culturais que, mais do que marcar as diferenças, apontam para a condição única do ser humano com seus reveses e alegrias. Surge, assim, na Europa judaica, um humor cheio de leveza, ingenuidade e ternura, com forte pendor democrático e social, que vai aportar, com os imigrantes, nas Américas. O Chassidismo, a Cabala iluminam, com este traço, a literatura e as artes: um humor que produz autorreflexão, diálogo e debate, não só com a própria tradição, mas com a cultura e a tradição alheias. Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG objetiva, através deste dossiê, a partir de olhares contemporâneos, contribuir para uma reflexão para o nosso tempo, sobre essa capacidade de rir de si mesmo, sobrepujando, pela leveza, as agruras e as adversidades.

    Dedicatória

    Nancy Rozenchan nasceu em São Paulo. Graduou-se em Letras: Línguas Orientais (Hebraico) pela Universidade de São Paulo; obteve os títulos de Mestre e Doutora em Letras: Teoria Literária e Literatura Comparada, também pela USP. Em 1990 conclui o Pós-Doutorado na USP e, em 1995, realizou seu segundo Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia. Tornou-se, nesse mesmo ano, Livre Docente pela USP, onde atua como Professora Colaboradora. Orientadora de Mestrado e Doutorado; Membro do corpo editorial de periódicos importantes, desenvolve pesquisas na área de Literatura Hebraica, Feminina e Israelense. Ensaísta, publicou inúmeros artigos e, como tradutora, verteu para a língua portuguesa obras fundamentais da literatura israelense e mundial como Ver: amor, de David Grossman; A mulher de Jerusalém, de A. B. Yehoshua; Os desaparecidos, de Daniel Mendelsohn; A trombeta envergonhada, de Haim Nahman; Passado contínuo, de Yaakov Shbtai; O monstro na escuridão, de Uri Orlev; Conhecer uma mulher e A caixa-preta, de Amós Oz; Adam, filho de cão, de Yoham Kaniuk, entre outros.

  • Detalhe de "Rabi Low", de Vlad Eugen Poenaru Kabalah: o estranho, o mágico e o maravilhoso no arquivo cultural judaico
    v. 2 n. 3 (2008)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O estranho e o mágico sempre fizeram parte do universo judaico. A Bíblia e sua incontável coleção de relatos trazem, em seu acervo, mitos e lendas que, alegoricamente, compõem um corpus da ordem do maravilhoso. Da torre de Babel ao gigante Golias, passando pela carruagem de fogo de Elias e os milagres atribuídos à divindade a partir da ação dos profetas, esse imaginário gera inúmeras interpretações. Com um duplo suplementar, no entanto, um corpus de lendas, mitos e supertições trouxe para a tradição judaica, principalmente com o advento do Hassidismo, personagens como o Golem, a Lilith, o Dibuk. O mundo em que esses seres imaginários vivem é o do misticismo judaico, da Cabala. A literatura, a partir das correntes da mística judaica, beneficiou-se, sobremaneira, desse imaginário. O objetivo deste dossiê é reunir artigos contemporâneos sobre a inscrição desse misticismo, gerador de estranhos, mágicos e maravilhosos acontecimentos e personagens, além de refletir sobre seu advento na cultura judaica.

    Dedicatória

    Em 12 de fevereiro de 1936, o casal Egon (1910-1981) e Frieda Wolff (1911-2008) desembarcou no Brasil, no porto de Santos, fugindo do nazismo. Ambos, egressos da Universidade de Berlim, instalaram-se em São Paulo, onde trabalharam no comércio. Mais tarde, mudaram-se para o Rio de Janeiro. Nessa cidade, Egon Wolff foi presidente do Hospital Israelita. A partir de 1960, a curiosidade sobre a imigração dos judeus para o Brasil e a falta de respostas a inúmeras perguntas levaram o casal a se dedicar à pesquisa de forma apaixonada e incansável. A Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional foram seus arquivos prediletos, mas eles, também percorreram cemitérios por todo o país, registrando e resgatando do esquecimento datas, genealogias, nomes. Entrevistaram centenas de pessoas e escreveram milhares de páginas sobre os judeus no Brasil. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, reconhecendo a importância desse trabalho, convidou os Wolff a se associar à entidade. Frieda e Egon escreveram 44 livros, incluindo Quantos judeus estiveram no Brasil holandês e sete dicionários biográficos. A eles - pelo que representam de inspiração e amor aos estudos e de conhecimento, à dedicação à História e à memória judaica - nossa homenagem.

  • Detalhe de "Escrita", de Vlad Eugen Poenaru Torah: arquivos multidisciplinares da escritura
    v. 2 n. 2 (2008)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Consciente e inspirado por um profundo sentimento de herança nacional, Israel têm se empenhado em preservar e reintroduzir, no seu território, a vida vegetal e animal existente em tempos bíblicos. Muitas espécies desapareceram da região ou estão em vias de extinção. Neot Kedumim, uma reserva paisagística situada no centro do país, dedica-se a colecionar e conservar variedades vegetais mencionadas na Torah e ainda existentes. Essa reserva criou jardins com flora nativa de várias áreas geográficas de Israel, tendo como objetivo a recomposição dessa flora dos tempos antigos. Os projetos Hai Bar de fauna selvagem, em Aravá e no Monte Carmel, foram criados para reinserir, em seu habitat natural, espécies animais que, antigamente, proliferavam nas colinas e nos desertos israelis. Biólogos israelenses especializados em vida animal selvagem correm o mundo em busca desses animais que, uma vez localizados, são levados às reservas, onde aprendem a se adaptar ao ambiente e, em seguida, são postos em liberdade. Antes, porém, de irem a campo, em busca dessas espécies, os cientistas israelenses se debruçam sobre a Torah. A possibilidade de recompor esse "território" por meio das Escrituras transforma o Livro em um arquivo, não só da religião, da cultura, da ética e da filosofia judaicas, como também de sua ecologia, de seu eco-sistema. Desse modo, o Livro, que garante a "terra da promissão", também garante sua perenidade existencial. Nosso objetivo, neste segundo número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, é refletir sobre o estatuto de "arquivo" da Torah, observando suas peculiaridades, suas possibilidades de inscrição na contemporaneidade, sua importância e tradução para nosso dias.

    DEDICATÓRIA

    Este segundo número da Arquivo Maaravi é dedicado ao Professor Jacó Guinsburg. Nascido na Bessarábia, em 1921, Jaco Guinsburg imigrou para o Brasil por volta de 1924. É tradutor de Diderot, Lessing, Nietzsche e outros tantos escritores. Como ensaísta, publicou Stanislávski e o teatro de arte de Moscou; Leoni de’Sommi: um judeu no teatro da renascença italiana; Diálogos sobre teatro; Aventuras de uma língua errante: ensaios de literatura e teatro ídiche, de 1996, (o mais importante estudo crítico sobre a língua e a literatura ídiche publicado na América Latina); Stanislávski, Meierhold e Cia.; Da Cena em cena, entre outros títulos. Professor de Estética Teatral e Teoria do Teatro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde é Professor Emérito, desde 2001. Seu trabalho de ficção mais recente, O que aconteceu, aconteceu, publicado em 2000, tematiza, entre outros elementos, a vida judaica dos imigrantes judeus no Brasil. Fundador e editor da Editora Perspectiva, Jacó Guinsburg destaca-se no cenário brasileiro como um dos seus mais brilhantes intelectuais.

  • Detalhe de "Meu diário", de Vlad Eugen Poenaru. Shoah: arquivos do bem, arquivos do mal
    v. 1 n. 1 (2007)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    No Brasil, segundo recente pesquisa, 96% da população desconhece o significado da palavra "Holocausto". Negacionistas e revisionistas têm encontrado, assim, um solo fértil para a disseminação de suas idéias. Uma vasta literatura de desinformação, que já chegou ao cinema, ao vídeo e à Internet, tem sido produzida e disseminada. Velhos pesquisadores nostálgicos do nazismo e jovens militantes neonazistas trabalham, há décadas, na construção de uma maciça propaganda intitulada revisionimos". Uma exposição de "caricaturas do Holocausto" (que teve, com caricaturistas brasileiros, o terceiro lugar em número de colaborações) além de um Congresso Mundial de Revisionistas, em pleno século 21, reeditam campanhas de intolerância e racismo. Desse modo, filmes, romances, contos e caricaturas revisionistas ou negacionistas, em todas as mídias, compõem um "arquivo do mal" destinado a desconstruir testemunhos, biografias, depoimentos, fotografias e todos os estudos empreendidos pós-Shoah. Nosso objetivo é, pois, neste dossiê, refletir sobre a literatura, o cinema e as artes em geral, produzidos sobre a Shoah, contrapondo-a ao mal que os nossos tempos ainda insistem em deixar proliferar.

    Dedicatória 

    David Bankier nasceu na Alemanha, em 1947. Formou-se na Hebrew University of Jerusalem, onde obteve seu doutorado em História Judaica. Atualmente é Professor do Solomon and Victoria Cohen Institut da Hebrew University, Diretor da área de Estudos sobre Anti-Semitismo e Holocausto no Institute for Contemporary Jewry e Diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Holocausto do Yad Vashem, em Israel. Sua tese de doutorado versou sobre a sociedade alemã, o nazismo e o anti-semitismo de 1933 a 1938. Desenvolve pesquisas sobre a relação entre judeus e não-judeus na Europa sob ocupação; a propaganda e a mobilização política durante a II Guerra; a emigração de judeus para a Alemanha e a reabilitação da vida comunitária judaica na América Latina. Autor, entre outros títulos, de: The German's and the Final Solution: public opinion under nazism; Secret intelligence and the Holocaust; The jews is comming back: the return of the jews to their countries of origin after WWII; Probing the Depths of German Antisemitism: German Society and the Persecution of the Jews, 1933-1941; Fragen zum Holocaust: Interviews mit prominenten Forschern und Denkern; El sionismo y la cuestión palestina; La emancipación judía; El Holocausto: perpetradores, víctimas, testigos.